O discurso de Wagner Moura ao receber o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama foi tão marcante quanto a vitória inédita. Em poucas palavras, o ator baiano transformou o palco da premiação em um espaço de agradecimento, reflexão e afirmação cultural, celebrando o cinema brasileiro diante do mundo.

Wagner Moura/ Foto: Reprodução
Visivelmente emocionado, Moura agradeceu à organização do prêmio, aos demais indicados e à equipe do filme “O Agente Secreto”, destacando a parceria com o diretor Kleber Mendonça Filho. “Meu irmão, você é um gênio”, afirmou, ao reconhecer a amizade e a força criativa que deram origem ao longa. O ator também fez questão de dividir o troféu com colegas de profissão, ressaltando o talento coletivo envolvido na disputa.
Ao falar sobre o significado do filme, Wagner trouxe um tom mais profundo ao discurso. Segundo ele, “O Agente Secreto” aborda a memória — e também a ausência dela — como marcas de um trauma que atravessa gerações. Para o ator, se o sofrimento pode ser herdado, os valores também podem. Foi nesse ponto que dedicou o prêmio a quem insiste em manter princípios em tempos difíceis, mencionando os filhos, a esposa e, de forma enfática, o Brasil. O encerramento, com um vibrante “Viva o Brasil, viva a cultura brasileira”, arrancou aplausos e repercutiu nas redes sociais.
A trajetória que levou Wagner Moura até esse momento é marcada por consistência e versatilidade. Filho de pai militar, ele é formado em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e chegou a trabalhar na TV Bahia, afiliada da TV Globo, antes de se consolidar como ator. O reconhecimento nacional começou no teatro, com a peça “A Máquina” (2000), ao lado de Lázaro Ramos e Wladimir Brichta, amigos desde a adolescência.
Na televisão, Wagner construiu personagens memoráveis, como o vilão Olavo, da novela “Paraíso Tropical” (2007), além de trabalhos em “Carga Pesada” (2003) e “JK” (2006). Já no streaming, ampliou sua projeção internacional com séries como “Narcos” (2015), “Narcos: México” (2017), “Shining Girls” (2022) e “Sr. & Sra. Smith” (2024).
No cinema, estreou em “Pop Killer” (1998) e participou de produções marcantes como “Abril Despedaçado”, “Carandiru” e “Cidade Baixa”. Em 2007, viveu o icônico Capitão Nascimento em “Tropa de Elite”, papel que se tornou um divisor de águas em sua carreira. Nos anos seguintes, consolidou seu prestígio com filmes como “Praia do Futuro”, “Marighella”, “Medida Provisória” e produções internacionais como “Elysium”, “Sergio”, “Agente Oculto” e “Guerra Civil”.
A vitória no Globo de Ouro não apenas consagra Wagner Moura como um dos grandes nomes do cinema contemporâneo, mas também reforça a presença do Brasil no cenário internacional, mostrando que histórias locais, quando contadas com verdade e talento, têm força para atravessar fronteiras.
Discurso completo:
“Obrigada ao Globo de Ouro, e aos indicados – vocês são extraordinários, atores incríveis, eu compartilho [esse prêmio] com vocês. Muito obrigada, Neon, muito obrigada à minha equipe, muito obrigada por sua amizade, Kleber Mendonça Filho. Meu irmão, você é um gênio, você é meu irmão e eu agradeço você por isso e por muitas outras coisas, muito obrigada. O Agente Secreto é um filme sobre a memória ou a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que se o trauma puder ser passado por gerações, os valores também podem ser passados de uma geração para outra. Então esse prêmio vai para aqueles que estão ali seguindo seus valores em um momento difícil, para os nossos filhos, para a minha mulher e para todo mundo no Brasil. Viva o Brasil, viva a cultura brasileira. Muito obrigado.”
veja o vídeo:
