O Acre apresentou o maior percentual de feminicĂdios de mulheres que possuĂam Medida Protetiva de UrgĂȘncia vigente no momento do crime, segundo a pesquisa âRetrato dos feminicĂdios no Brasilâ, divulgada pelo FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica. De acordo com o levantamento, 25% das vĂtimas no estado tinham medida protetiva quando foram assassinadas.
O estudo mostra que a mĂ©dia nacional Ă© de 13,1%, o que coloca o Acre com um percentual prĂłximo do dobro registrado no restante do paĂs. ApĂłs o estado aparecem Mato Grosso (22,2%), SĂŁo Paulo (21,7%) e Minas Gerais (16,7%).
No outro extremo do ranking estĂŁo Distrito Federal e MaranhĂŁo, ambos com 4,3%, seguidos por Alagoas (4,5%) e Mato Grosso do Sul (5,9%).

Acre lidera feminicĂdios com vĂtimas sob medida protetiva/ Foto: Reprodução
Apesar do percentual elevado, os dados tambĂ©m precisam ser analisados em nĂșmeros absolutos. No Acre, dois casos de feminicĂdio registrados envolveram vĂtimas que tinham medida protetiva vigente. A pesquisa considera a proporção em relação Ă população, o que explica a posição do estado no ranking.
Segundo o levantamento, os dados indicam um problema estrutural: embora a concessĂŁo da medida protetiva seja considerada um mecanismo essencial de proteção, ela nem sempre tem sido suficiente para impedir a ocorrĂȘncia do feminicĂdio.
Recorde de feminicĂdios
Em 2025, o Acre registrou 14 casos de feminicĂdio, nĂșmero que iguala os recordes histĂłricos registrados em 2016 e 2018.
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O estado tambĂ©m aparece com a maior taxa de feminicĂdio do Brasil, segundo o estudo. Enquanto a mĂ©dia nacional foi de 1,43 casos por 100 mil mulheres, no Acre o Ăndice chegou a 3,2.
Na sequĂȘncia aparecem RondĂŽnia (2,9), Mato Grosso (2,7) e Mato Grosso do Sul (2,6). As menores taxas foram registradas em Amazonas (0,9), CearĂĄ (1,0) e SĂŁo Paulo (1,1).
Dados nacionais
Em todo o paĂs, 1.568 mulheres foram vĂtimas de feminicĂdio em 2025, o que representa aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
O FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica tambĂ©m aponta que, desde a tipificação do crime de feminicĂdio em 2015, mais de 13 mil mulheres foram assassinadas no Brasil pela condição de serem mulheres.
O levantamento mostra ainda um padrĂŁo entre os autores dos crimes. Na maioria dos casos, o feminicĂdio Ă© cometido por companheiros, maridos, ex-namorados, filhos, pais ou outros homens com relação prĂłxima com a vĂtima.
De acordo com o estudo, o feminicĂdio geralmente ocorre em contexto de violĂȘncia domĂ©stica e familiar, sendo frequentemente o resultado de uma sequĂȘncia de abusos anteriores, que podem incluir violĂȘncia psicolĂłgica, fĂsica, sexual, moral ou patrimonial.

