Após o vazamento de supostas conversas que indicariam compra de votos, a disputa pelo segundo turno das eleições para a reitoria da Universidade Federal do Acre (Ufac) teve mais uma reviravolta nesta quarta-feira (25). A candidata à vice-reitoria, professora Almecina Balbino, da chapa “Juntos pela Ufac” informou, nas redes sociais, que já registrou um boletim de ocorrência e nega qualquer irregularidade.
As imagens, recebidas pela reportagem do ContilNet, apontariam transferências via Pix e diálogos nos quais haveria menção a repasses financeiros em troca de apoio eleitoral. Em um dos registros, aparece um envio no valor de R$ 200 vinculado ao nome da professora. Em outro, um interlocutor agradece por um valor recebido, ao que a resposta atribuída à candidata menciona apoio de alunos do curso de Agronomia.
Em pronunciamento, Almecina Balbino e Carlos Moraes afirmam que os materiais foram manipulados.
“Parem de me atacar, vocês precisam saber que a mulher negra precisa ter voz, ter vez, deixem de manipular meus prints. Eu sempre estive do lado dos alunos, eu sempre ajudei meus alunos”, declarou.
A candidata também destacou que o apoio a estudantes não teria relação com o período eleitoral. “Nós ajudamos alunos em outro contexto, nem era período de campanha e agora manipularem essas informações usando os nossos alunos para nos atacar. Que nível nós chegamos?”, disse.
Segundo ela, medidas legais já estão sendo tomadas. “Estamos aqui na delegacia agora registrando um BO. O que aconteceu é muito sério, tentando manchar o nosso nome e a nossa reputação. Vai ter resposta na medida que a lei permite”, afirmou.
Um dos integrantes da equipe de coordenação da campanha, Leonardo Lani, também negou irregularidades e classificou o conteúdo como montagem. “Esses prints são montagens. Todo professor ajuda seus alunos. Os alunos pedem ajuda para atividades, viagens, e a gente contribui dentro do possível, com valores como R$ 100 ou R$ 200”, disse.

Ele reforçou que, segundo a campanha, os valores citados não teriam relação com o processo eleitoral. “Esse dinheiro foi uma coisa fora da campanha. Não há nenhum sinal de irregularidade. A campanha sempre foi propositiva”, acrescentou, reiterando que é costumeiro que professores ajudem alunos, tendo em vista as condições de vulnerabilidade que muitos se encontram. “É comum que ajudemos nossos estudantes, mas fazemos isso como pessoas, não como docentes”.
A reportagem também entrou em contato com o candidato à reitoria, professor Carlos Moraes. Ele emitiu uma nota à imprensa em que enfatiza que “a verdade prevalecerá” (leia o documento completo ao final da matéria).
Eleições na Ufac
O primeiro turno da eleição foi realizado na última quinta-feira (19), de forma on-line. A chapa de Carlos Moraes e Almecina Balbino ficou em primeiro lugar, com 44,40% dos votos para reitor e 48,78% para vice.
Na segunda colocação está a chapa “Dialogando com as pessoas e construindo o futuro!”, liderada por Josimar Batista Ferreira, com 38,35% dos votos para reitor, e Marco Antonio Amaro, com 34,20% para vice.
O segundo turno ocorre nesta quinta-feira (26).
Nota da chapa Juntos pela Ufac
NOTA À IMPRENSA
A chapa Carlos Moraes e Almecina repudia de forma veemente a circulação de conteúdos falsos, montagens e supostos prints de conversas que tentam atacar a honra, a imagem e a trajetória da professora Almecina e do professor Carlos Moraes.
Trata-se de material fraudulento, grosseiramente manipulado, disseminado com o objetivo de confundir a opinião pública e produzir desgaste pessoal e eleitoral por meio da mentira.
A professora Almecina construiu sua trajetória com estudo, trabalho, dedicação à educação e compromisso com a comunidade acadêmica. Relações pessoais de apoio e solidariedade mantidas ao longo dos anos, muito antes do atual processo eleitoral, jamais podem ser distorcidas para alimentar acusações falsas e levianas.
A chapa lamenta que o debate eleitoral na UFAC seja contaminado por práticas marcadas por desinformação, ataques pessoais e tentativa de destruição moral de adversários. Divergência política é legítima. Falsificação, mentira e ataque à honra não são.
Também é grave que esse tipo de ação atinja uma mulher negra, professora, cuja história foi construída com esforço, honestidade e trabalho. É preciso que a comunidade acadêmica reflita sobre os limites éticos que não podem ser ultrapassados em nenhuma circunstância.
Informamos que as medidas cabíveis já estão sendo adotadas para apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos.
A chapa reafirma seu compromisso com uma campanha limpa, respeitosa e baseada em propostas para o futuro da UFAC.
A verdade prevalecerá.
Chapa Carlos Moraes e Almecina
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