Em ato, bolsonaristas divergem sobre ataques ao Supremo

Ala do bolsonarismo estima que eventual impeachment de Toffoli poderia beneficiar o presidente Lula

Boneco com a frase 'Libertem Bolsonaro' — Foto: Klauson Dutra/CBN
Boneco com a frase 'Libertem Bolsonaro'/Foto: Klauson Dutra/CBN

O ato pró-Bolsonaro deste domingo, organizado em várias capitais, teve mudança de foco e divisão sobre o tom dos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos dias, a intenção era priorizar a pressão aos pedidos de impeachment dos ministros Dias Toffoli e Alexandre do Moraes.

Uma ala dos oposicionistas ao governo entende que a pressão pelo impedimento de Toffoli, que saiu da relatoria do caso Master, pode ajudar o presidente Lula na campanha eleitoral. A avaliação desse grupo é que, com a cadeira de Toffoli vaga, Lula poderia indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), o que seria um atrativo de novos aliados do centrão para a campanha petista, principalmente em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país que, em geral, decide eleição.

O pastor Sila Malafaia, patrocinador do evento na Avenida Paulista, chegou a citar Toffoli, mas destinou os ataques a Moraes, ao citar o inquérito das fake News. Ele classificou a investigação “imoral e ilegal, aberto para proteger ministros que estavam enrolados, comandado pelo ditador Alexandre de Moraes”.

Entre as lideranças do Congresso, o líder do PL Sóstenes Cavalcante (RJ) decidiu entoar “fora Moraes”, mas não citou Toffoli. E falou novamente em “anistia já”, afirmando que “estavam lá por Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e todos os exilados políticos”.

Com isso, o foco foi dividido entre o STF e pedidos de liberdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos presos do 8 de janeiro. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi nesta linha:

“Se você puder, compareça, faça valer a sua voz, me representa fisicamente nesse momento em que eu não posso estar lá. É por mim, é pelos perseguidos políticos, é pelo Jair Bolsonaro, pelo Anderson Torres, pela Adalgilza, por todo mundo que está preso nessa situação. 1º de março, por liberdade, Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, afirmou.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se filiou ao PSD para tentar concorrer à presidência, afirmou que “o meu primeiro ato será a anistia geral e irrestrita em primeiro de janeiro”.

Já o deputado Guilherme Derrite, ex-secretário da Segurança de São Paulo e pré-candidato ao Senado, preferiu falar do PL Antifacção nas redes.

“Só nessa semana, duas grandes notícias. Primeiro, que preso perdeu direito ao voto por conta do PN de facção, nossa relatoria aprovada na Câmara dos Deputados. E segundo, essa atitude do governo de Minas Gerais, num momento de grande dificuldade e calamidade pública, colocou os presos que estavam lá no sistema penal para realizar esse trabalho, tirando as lamas, ajudando o Estado de Minas, as cidades e as famílias que mais necessitam. Parabéns ao governo de Minas Gerais por essa atitude”, disse em referência à tragédia climática em cidades como Juiz de Fora.

Entre governistas, o deputado Rogério Correia (PT-MG) falou em protesto flopado em Belo Horizonte. “Ninguém aguenta mais ódio, demagogia e descaso com o povo. Enquanto Lula socorre as vítimas das enchentes, os extremistas fazem ato para apoiar a guerra dos EUA e pedir anistia para golpista, dormindo quentinho na Papuda”, escreveu nas redes.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) falou que os atos estão “cada dia mais esvaziados, com perda de apoio e sustentação de argumentos após condenação de Bolsonaro. Um vexame”, afirmou.

O vice-líder da Federação PT-PCdoB-PV na Câmara, Nilto Tatto (PT-SP), disse que os ataques a Moraes são cortina de fumaça para a tentativa de golpe de Estado.

“Eles querem atacar o STF da mesma forma como atacam também o próprio funcionamento de todas as instituições e atacam a própria democracia. Então é um movimento que tenta capturar essa mensagem, podemos dizer assim, simplista e irresponsável de querer atacar as instituições, dizendo que é elas que perseguem as pessoas”.

A manifestação ainda teve como objetivo tentar alinhar atritos dentro do PL por espaço nas candidaturas dos Estados. Ainda neste domingo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse em carta lamentar críticas feitas por nomes da direita à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a aliados.

O documento foi publicado após Eduardo Bolsonaro afirmar que o apoio de Michelle e Nikolas a Flávio Bolsonaro, que deve disputar a Presidência pelo PL, está “aquém do desejável”.

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