“Minha filha partiu por conta de jogos online. Foi através de um jogo que ela conheceu alguém que fez mal a ela”.
A frase é dita por Aldileide Vieira de Araújo, que perdeu a filha, de 16 anos, em 2022. Desde então, ela tem feito um alerta público sobre os riscos da exposição de crianças e adolescentes a ambientes virtuais sem supervisão.
O relato da mãe ocorre em um contexto de aumento nos registros de suicídio no Acre. Dados do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) apontam que, em 2025, foram contabilizadas 100 mortes no estado – um crescimento de 7,53% em relação a 2024, quando o número foi de 93.
A distribuição mensal em 2025 mostra oscilações ao longo do ano: janeiro (8), fevereiro (13), março (6), abril (12), maio (9), junho (10), julho (8), agosto (8), setembro (7), outubro (3) e novembro (7). Dezembro ainda não foi fechado no levantamento.

Relato da mãe ocorre em um contexto de aumento nos registros de suicídio no Acre. Foto: Idrees Abbas/Getty Images via BBC
Isolamento digital
Aldileide afirma que percebeu mudanças comportamentais na filha antes da morte. “O que eu mais vejo são crianças trancadas dentro do quarto, sem querer comer, sem querer tomar banho, só nas redes sociais, jogando e conversando com estranhos”.
Segundo ela, o contato da jovem com pessoas fora do círculo familiar ocorreu dentro de plataformas de jogos populares entre adolescentes. “Tem pessoas mal-intencionadas do outro lado da tela. Elas fazem de tudo para manipular, desafiar, pressionar. Os pais precisam saber o que está acontecendo”.
Após a morte da filha, Aldileide passou a acompanhar de perto o uso da internet pelo filho mais novo. “Eu mesma abri uma conta para jogar com ele. Ele só tem uma hora por dia no celular. Não deixo mais trancado no quarto”.
Aldileide diz que decidiu tornar pública a história como forma de prevenção. “Eu sei que muitos pais estão vendo os filhos se isolarem e não sabem o que fazer. Só eu sei a dor que estou passando. Um filho que perde pai e mãe fica órfão. E uma mãe que perde um filho, ela fica o quê? Não tem palavra”.
Para a mãe, a exposição é um ato de tentativa de proteção coletiva. “Isso não vai trazer minha filha de volta. Mas pode salvar vidas”.
Em casos de sofrimento emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
