Um estudo realizado na Amazônia acreana revelou que as formigas podem funcionar como importantes indicadoras da recuperação ambiental em áreas impactadas pela atividade humana. A pesquisa mostra que sistemas agroflorestais mais antigos conseguem manter uma diversidade de espécies mais próxima da encontrada em florestas preservadas.
O trabalho foi conduzido pela pesquisadora Dhamyla Bruna, mestre em biologia pela Universidade Federal do Acre (Ufac) e presidente do Centro Acadêmico de Biologia da instituição. Segundo ela, o interesse pelo tema surgiu ainda durante a graduação, quando passou a estudar o papel das formigas nos ecossistemas.
“As formigas sempre me chamaram muita atenção. Ao longo da minha trajetória acadêmica aprendi sobre a importância delas nos ecossistemas e como respondem rapidamente às mudanças no ambiente, sendo excelentes indicadoras da saúde ambiental”, explica.
Pesquisa na Reserva Chico Mendes
O estudo foi realizado em setembro de 2023 na Reserva Extrativista Chico Mendes, nos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia. A equipe analisou a presença de formigas em diferentes tipos de uso da terra, incluindo áreas de pastagem, roçados, sistemas agroflorestais sucessionais jovens, sistemas agroflorestais mais antigos e áreas de floresta primária.
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As coletas foram feitas de forma padronizada em todos os ambientes, permitindo comparar como cada tipo de uso da terra influencia a biodiversidade desses insetos. Segundo a pesquisadora, as formigas são consideradas bons bioindicadores porque exercem várias funções nos ecossistemas, como dispersão de sementes, ciclagem de nutrientes e controle de outros organismos.
“Algumas espécies são especialistas em determinados habitats, enquanto outras são mais generalistas e conseguem ocupar ambientes mais alterados. Isso ajuda a entender o estado de conservação de uma área”, explica.
Agroflorestas favorecem biodiversidade
De acordo com a pesquisadora, resultados demonstram que a recuperação ambiental ocorre de forma gradual. — Foto: Reprodução/artigo
Entre os principais resultados, o estudo mostrou que sistemas agroflorestais mais antigos conseguem manter maior diversidade de formigas, incluindo espécies associadas a ambientes florestais. Já áreas com sistemas agroflorestais mais recentes apresentaram comunidades de formigas mais semelhantes às encontradas em ambientes mais alterados, como pastagens e roçados.
De acordo com a pesquisadora, isso demonstra que a recuperação ambiental ocorre de forma gradual.
“À medida que esses sistemas envelhecem e a vegetação se desenvolve, eles passam a oferecer condições mais favoráveis para uma maior diversidade de espécies, aproximando-se da biodiversidade observada em áreas de floresta”, afirma.
Potencial de recuperação ambiental
A pesquisa também indica que áreas já alteradas pela atividade humana ainda podem recuperar parte da biodiversidade quando são manejadas com práticas mais sustentáveis.
Os dados mostram que ambientes com maior diversidade de plantas e estrutura de vegetação, como sistemas agroflorestais, conseguem abrigar mais espécies de formigas do que áreas agrícolas intensivas.
Para Dhamyla Bruna, os resultados reforçam que é possível conciliar produção agrícola e conservação da biodiversidade na Amazônia. “Pesquisas como essa ajudam a entender quais tipos de uso da terra conseguem conservar mais biodiversidade e orientar práticas agrícolas mais sustentáveis”, destaca.

