Pelo menos 20 mães atípicas do município de Manoel Urbano, no interior do Acre, estão enfrentando dificuldades para continuar o tratamento dos filhos em Sena Madureira, porque não há transporte para levar as crianças de uma cidade a outra.
Os pequenos fazem equoterapia — método terapêutico multidisciplinar que utiliza cavalos para promover o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) — em um projeto idealizado e mantido a partir de emenda do deputado Emerson Jarude.
A mãe de uma das crianças, Kezia Fernandes, disse à reportagem do ContilNet que, anteriormente, o grupo chegou a receber transporte da Prefeitura de Manoel Urbano, mas que o órgão negou o micro-ônibus às crianças desta última vez.
Kezia afirma que o grupo de mães já procurou ajuda no Ministério Público do Acre (MPAC) e na Defensoria Pública do Estado (DPE), mas não teve sucesso.
“Estamos precisando de um transporte para ir a Sena Madureira fazer a equoterapia com as crianças. Só que, nas duas primeiras sessões, conversamos com o prefeito e ele disponibilizou. Na segunda, a gente teve que ir ao MP (Ministério Público) aqui de Manoel Urbano, só que o MP de Manoel Urbano não dá atenção para a gente, nem responde mais, tipo assim, não está mais ligando para nada para a gente”, pontuou.
As crianças que iriam para mais uma sessão nesta sexta-feira (24) não conseguiram sair da cidade por falta de transporte. Fernandes disse que, em contato com a Prefeitura, o grupo foi informado de que a van que poderia ser disponibilizada estava em manutenção. Kezia afirmou que, na verdade, o veículo estava a serviço da Prefeitura no centro da cidade.
“Hoje a gente teria que ter a disponibilização da van novamente para ir para Sena Madureira fazer essa equoterapia com as crianças. Seriam 10 crianças hoje, porque, de 15 em 15 dias, 10 crianças vão, né? E aí a gente foi na Defensoria aqui, o pessoal da Defensoria está aqui, e mesmo assim eles lá falaram que o micro-ônibus que tinha estava em manutenção. Só que não está em manutenção, entendeu? Ele está disponível para um evento que está tendo aqui na cidade, onde eles têm que passar nas casas recolhendo as pessoas para levar para esse evento. E não disponibilizaram a van para nós. Hoje, as 10 crianças que iriam, não foram”, destacou.
“E, tipo assim, a gente está tentando acordo, conversa, vai para reunião com eles, eles vão lá, postam uma nota dizendo que estão ajudando, que estão à disposição da gente, mas, quando a gente vai, eles não estão disponíveis, não ajudam. E, tipo assim, tem mães com crianças que não têm autonomia para se locomover sozinhas, precisam de alguém, precisam de um suporte, entendeu? Precisam de um veículo apropriado para o transporte. E a gente está encontrando muita dificuldade nessa área”, acrescentou.
O que diz a Prefeitura?
O ContilNet procurou o secretário de Saúde do município, Fransuar Sardes, para obter a versão da Prefeitura sobre o caso. O gestor afirmou que o Executivo chegou a fornecer um veículo para as mães e crianças, mas que, desta vez, não poderia disponibilizá-lo novamente para não incorrer em crime de responsabilidade.
“Como iríamos justificar um gasto de dinheiro público para um evento que não é através da Sesacre ou de algum órgão governamental? Isso seria até crime. Eu posso responder pela Secretaria de Saúde. Como secretário de Saúde, não consigo justificar um gasto desse”, disse o gestor.
Fransuar foi questionado se a Prefeitura não corria o mesmo risco de incorrer em crime na primeira vez em que forneceu o veículo para o tratamento das crianças, mas não respondeu à pergunta. Ele pediu que a reportagem entrasse em contato com o secretário de Administração do município, Carlos Antonio, que, por sua vez, repassou a demanda ao chefe de gabinete do prefeito, identificado apenas como Jabas.
O último contatado pela reportagem disse que não tem posicionamento sobre o assunto por “não ter conhecimento da causa”.
“Não tenho nenhum posicionamento agora porque estou sabendo da situação agora”, concluiu.


