A morte do cão Orelha, que comoveu o Brasil em janeiro deste ano, voltou a incendiar as redes sociais nesta sexta-feira (10). A onda de revolta foi desencadeada pela decisão do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que, na última quinta-feira (9), solicitou pela segunda vez que a Polícia Civil realize novas investigações sobre o caso ocorrido em Florianópolis.
Para muitos internautas, o pedido de novas diligências, feito dois meses após a conclusão do inquérito, é lido como um sinal de que o caso pode caminhar para o arquivamento. “Esperaram a poeira abaixar”, criticou um usuário em postagem viral. A preocupação da opinião pública é que o tempo de resposta do órgão acabe por enfraquecer o clamor por justiça.
O Embate de Provas
Desde o indiciamento concluído em 4 de fevereiro, o processo tem sido marcado por idas e vindas. No último dia 12 de fevereiro, o MP já havia solicitado diligências e a exumação do animal. Em resposta, nove dias depois, a Polícia Civil encaminhou 35 novas provas aos promotores. No entanto, o Ministério Público alega que o material ainda apresenta lacunas que precisam de “mais clareza” para um posicionamento jurídico seguro.
Em nota, o MPSC defendeu que o grupo técnico analisa o vasto conjunto de provas para assegurar que nenhuma informação relevante seja ignorada. “A medida busca garantir a tomada de decisão correta”, afirmou o órgão.
Visão Técnica
Embora internautas vejam a medida como protelatória, o advogado criminalista Oberdan Costa, em entrevista ao Metrópoles, pontuou que, apesar de ser “estatisticamente raro” um segundo pedido de provas, o procedimento visa dar maior garantia jurídica ao processo. Segundo ele, é precipitado afirmar que o MP busca postergar o desfecho, especialmente em um caso de tamanha notoriedade nacional.
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Relembre o Caso
O cão Orelha foi encontrado agonizando sob um carro na Praia Brava, em Florianópolis, após sofrer agressões. A Polícia Civil concluiu que um dos quatro adolescentes presentes na praia foi o responsável pelos ferimentos fatais. O crime gerou atos públicos em cinco capitais brasileiras no início de fevereiro, tornando-se um símbolo da luta contra os maus-tratos a animais no país.

