Grupos de assobio e a nova onda de denĂșncias de assĂ©dio nas ruas

PrĂĄtica estaria ligada a fĂłruns da "machosfera" e discursos de grupos conhecidos como "redpills"

Por Fhagner Soares, ContilNet 18/04/2026 Ă s 20:35

Relatos recentes que circulam nas redes sociais e em coletivos feministas tĂȘm acendido um alerta sobre uma prĂĄtica preocupante: a suposta formação de “grupos de assobio”. Segundo as denĂșncias, homens estariam se organizando para utilizar o ato de assobiar nĂŁo apenas como uma importunação isolada, mas como uma ferramenta estruturada de constrangimento e objetificação contra mulheres nas ruas.

O que mais chama a atenção das autoridades e ativistas Ă© a existĂȘncia de um suposto “cĂłdigo de conduta” interno. Nessas comunidades, os integrantes seriam incentivados a abandonar a comunicação verbal com mulheres, substituindo-a exclusivamente por assobios. A dinĂąmica tem sido comparada por especialistas a uma espĂ©cie de “seita”, onde padrĂ”es de comportamento sĂŁo validados entre os membros para reforçar o rebaixamento do gĂȘnero feminino.

Grupos de assobio e a nova onda de denĂșncias de assĂ©dio nas ruas

Especialistas ligam comportamento a fóruns de masculinidade radicalizada na internet/ Foto: Reprodução

A conexĂŁo com a “Machosfera” e os “Redpills”

As acusaçÔes relacionam esses comportamentos a ambientes digitais conhecidos como “machosfera”. Esse ecossistema reĂșne comunidades que propagam discursos de masculinidade radicalizada, onde o termo “redpill” Ă© frequentemente citado. Pesquisadores apontam que esses grupos disseminam ideias contrĂĄrias Ă  igualdade de gĂȘnero, que agora parecem estar transbordando do ambiente virtual para o contato direto nos espaços pĂșblicos.

Estudos indicam que a normalização desse conteĂșdo online influencia diretamente a atitude de jovens e adultos fora das redes, incentivando tĂĄticas de intimidação que colocam a mulher em constante situação de vulnerabilidade e desrespeito.

Debate sobre limites e segurança

Embora ainda nĂŁo exista uma confirmação oficial sobre a estrutura fĂ­sica e jurĂ­dica desses grupos, a repercussĂŁo do tema jĂĄ mobiliza um intenso debate sobre a violĂȘncia de gĂȘnero. Especialistas alertam que tratar tais prĂĄticas como “brincadeira” ou “liberdade de expressĂŁo” Ă© um risco Ă  segurança pĂșblica, pois abre caminho para formas mais graves de agressĂŁo.

Grupos de assobio e a nova onda de denĂșncias de assĂ©dio nas ruas

Debate nas redes sociais pede maior rigor contra pråticas misóginas que intimidam mulheres/ Foto: Reprodução

O caso reacende a discussão sobre a necessidade de políticas mais rígidas de combate ao assédio e a importùncia de denunciar comportamentos coordenados que visam cercear o direito das mulheres de transitar livremente sem serem alvo de intimidação sistemåtica.

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