Jovens negros e indĂ­genas sĂŁo as maiores vĂ­timas de suicĂ­dio pĂłs-violĂȘncia no Brasil

Pesquisadores apontam que o racismo e a falta de acesso a oportunidades ampliam a vulnerabilidade mental desses grupos

Por Redação ContilNet 22/04/2026 às 06:20

Um estudo inĂ©dito conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade de Harvard, trouxe Ă  tona dados alarmantes sobre o impacto da violĂȘncia na saĂșde mental da juventude brasileira. A pesquisa revela que, apĂłs episĂłdios de violĂȘncia, o risco de suicĂ­dio Ă© 10,7 vezes maior entre jovens indĂ­genas e 3,14 vezes maior entre jovens negros. Em contrapartida, entre jovens brancos, a associação nĂŁo apresentou relevĂąncia estatĂ­stica.

Publicado no periĂłdico Cambridge Prisms: Global Mental Health, o estudo analisou dados de mais de 92 mil pessoas com registros de agressĂŁo fĂ­sica, sexual ou domĂ©stica. Ao todo, foram identificados 1.657 casos de suicĂ­dio no perĂ­odo de 2011 a 2018. Os resultados evidenciam desigualdades etnorraciais profundas e a urgĂȘncia de polĂ­ticas de prevenção especĂ­ficas.

Desigualdades que matam

De acordo com a pesquisadora FlĂĄvia Alves, associada ao Cidacs/Fiocruz Bahia e a Harvard, a violĂȘncia interpessoal Ă© um gatilho conhecido para o sofrimento mental, mas o diferencial deste estudo foi mostrar como esse impacto Ă© desproporcional. Jovens indĂ­genas e negros enfrentam, de forma contĂ­nua, condiçÔes de pobreza, segregação e falta de acesso a serviços de saĂșde e educação.

Essa exposição constante pode levar Ă  “cronificação” da violĂȘncia, gerando traumas profundos, depressĂŁo e transtorno de estresse pĂłs-traumĂĄtico. No caso da população indĂ­gena, as taxas de suicĂ­dio jĂĄ sĂŁo historicamente superiores Ă  mĂ©dia nacional, o que reforça a necessidade de estratĂ©gias que levem em conta o contexto histĂłrico e social desses povos.

Prevenção e enfrentamento ao racismo

Os autores do estudo alertam que as políticas de prevenção no Brasil não podem ser meras cópias de modelos estrangeiros de países ricos. Para ser eficaz, o enfrentamento ao suicídio deve colocar o combate ao racismo estrutural e às iniquidades sociais no centro das açÔes.

A conclusĂŁo Ă© de que a prevenção precisa ir alĂ©m do tratamento individual e clĂ­nico, exigindo um esforço governamental para reduzir a violĂȘncia e garantir maior equidade em saĂșde para as populaçÔes mais vulnerĂĄveis do paĂ­s.

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