O presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva subiu o tom das crĂticas Ă s instituiçÔes internacionais durante sua participação na 4ÂȘ ReuniĂŁo de Alto NĂvel do FĂłrum Democracia Sempre, realizada na manhĂŁ deste sĂĄbado (18), em Barcelona, na Espanha. Deixando de lado o discurso previamente preparado, Lula focou no enfraquecimento da Organização das NaçÔes Unidas (ONU) e na paralisia do multilateralismo diante das crises no Oriente MĂ©dio e em outras regiĂ”es do globo.
Lula argumentou que o mundo vive um momento de “desgovernança global”, onde lĂderes de grandes potĂȘncias tomam decisĂ”es militares e econĂŽmicas de forma isolada, sem consultar os organismos internacionais.
Ataque ao Conselho de Segurança
A crĂtica mais contundente do presidente brasileiro foi direcionada Ă estrutura do Conselho de Segurança da ONU. Segundo Lula, os cinco membros permanentes (EUA, RĂșssia, China, França e Reino Unido), que deveriam ser os garantidores da paz pĂłs-Segunda Guerra Mundial, tornaram-se os maiores obstĂĄculos para ela.
âOs cinco membros permanentes viraram os senhores da guerraâ, afirmou o presidente. Ele defendeu uma reforma imediata no ĂłrgĂŁo, com a inclusĂŁo de naçÔes da Ăfrica, Ăsia e AmĂ©rica Latina, alĂ©m do fim do poder de veto, que, segundo ele, imobiliza a capacidade de mediação da ONU.
Guerra e Custo de Vida
Em um momento que conectou a polĂtica externa ao dia a dia da população, Lula associou a instabilidade internacional ao aumento da inflação e da fome. Para o presidente, a irresponsabilidade das grandes potĂȘncias recai sobre as camadas mais vulnerĂĄveis da sociedade global.
âO Trump invade o IrĂŁ e aumenta o feijĂŁo no Brasil, aumenta o milho no MĂ©xico, aumenta a gasolina no outro paĂs. Ou seja, Ă© o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras que ninguĂ©m querâ, exemplificou, reforçando que os gastos militares deveriam ser revertidos para o combate ao analfabetismo e Ă falta de serviços bĂĄsicos.
Convocação Geral
Ao encerrar sua fala, ao lado de lĂderes como o presidente chileno Gabriel Boric, Lula sugeriu que o fĂłrum produzisse um documento de convocação geral para discutir a reconstrução do multilateralismo. O presidente brasileiro enfatizou que “nenhum paĂs, por maior que seja, tem o direito de impor regras aos outros” e criticou o uso de redes sociais para ameaças bĂ©licas entre naçÔes.

