Acre teve mais de 108 mil famílias endividadas em março, diz pesquisa

Acre registra queda no endividamento das famílias, mesmo com alta nacional

Por Suene Almeida, ContilNet 17/04/2026

Enquanto o Brasil enfrenta um aumento no número de famílias endividadas, o Acre apresentou um movimento diferente no mês de março. Dados analisados pela Federação do Comércio local mostram que o estado teve uma leve redução de 0,4% nesse índice, indicando que parte da população conseguiu organizar melhor as finanças.

Ao todo, 108.455 famílias acreanas ainda possuem algum tipo de dívida. Apesar do número elevado, o dado representa uma diminuição de 604 famílias em comparação com fevereiro, o que sinaliza um pequeno avanço no controle financeiro dentro do estado.

Contraste com o cenário nacional

Esse cenário contrasta com o restante do país. Em nível nacional, o endividamento atingiu 80,4% das famílias brasileiras, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). O percentual representa um aumento em relação aos meses anteriores, com cerca de 14,6 milhões de lares nessa situação.

Mesmo com a melhora no Acre, outros indicadores ainda preocupam. No Brasil, por exemplo, o número de famílias com contas em atraso permaneceu estável, atingindo 29,6%. Já aquelas que dizem não ter condições de pagar suas dívidas apresentaram uma leve redução.

Especialistas apontam que fatores como o aumento dos combustíveis e os juros altos continuam pressionando o orçamento das famílias. Esses elementos encarecem produtos e serviços, diminuem o poder de compra e fazem com que muitas pessoas recorram ao crédito até para despesas básicas.

No Acre, a expectativa é que o comportamento mais cauteloso dos consumidores ajude a manter a tendência de queda no endividamento. Ainda assim, o cenário econômico nacional exige atenção, já que qualquer mudança nos preços ou nas taxas de juros pode impactar diretamente o bolso da população.

VEJA TAMBÉM

Cesta básica dispara em Rio Branco e alimentos essenciais encarecem

Tomate e Feijão disparam e elevam custo da cesta básica em Rio Branco

A pesquisa considera 15 produtos essenciais para a alimentação de famílias de baixa renda | Foto: Reprodução

O custo da cesta básica voltou a subir em Rio Branco e acendeu um alerta sobre o avanço dos preços dos alimentos na capital acreana. Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC) mostra que o valor médio atingiu R$ 677,98 em abril de 2026, podendo chegar a R$ 766,06, a depender do estabelecimento.

A pesquisa considera 15 produtos essenciais para a alimentação de famílias de baixa renda e revela um cenário de pressão contínua no custo de vida. Entre os itens com maior impacto, a carne segue como principal responsável pelo peso no orçamento, somando R$ 228,35 no consumo mensal. Na sequência aparecem o leite, com R$ 81,50, e o café em pó, com R$ 63,96.

Outros produtos também contribuíram para a elevação do valor final, como banana (R$ 39,83), pão francês (R$ 37,65) e tomate (R$ 37,40). Os preços unitários ajudam a explicar o cenário: a carne foi encontrada a R$ 45,67 o quilo, o leite a R$ 8,15 o litro e o tomate a R$ 9,35 o quilo.

A alta recente reforça a tendência observada desde o início do ano. Entre janeiro e abril, a cesta básica acumulou aumento de 6,43%. Apenas na comparação entre março e abril, a elevação foi de 4,82%, indicando aceleração nos preços em um curto intervalo.

Alguns itens registraram aumentos expressivos. O leite teve alta de 72,30% no acumulado do ano e de 39,55% no último mês. A margarina também chamou atenção, com avanço de 112,87% no período, enquanto a batata subiu 65,27%.

Apesar de quedas pontuais, como no açúcar, que recuou 15,67%, e no óleo, com redução de 11,34%, as diminuições não foram suficientes para conter o avanço geral dos preços.

A variação entre os estabelecimentos também evidencia diferenças significativas. Em abril, a mesma cesta apresentou uma oscilação de 13,04% entre o menor e o maior valor, o que reforça a importância da pesquisa antes da compra.

O levantamento aponta, ainda, que os alimentos continuam sendo os principais responsáveis pela pressão no custo de vida, com impacto direto no consumo das famílias e nas escolhas feitas no dia a dia.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.