O MDB no Acre mudou de patamar e sabe exatamente a quem deve esse salto. Depois de não eleger nenhum deputado federal na última eleição, o partido agora monta uma das chapas mais competitivas do estado, impulsionado diretamente pelo governo.
Com o fim da janela partidária, a sigla virou abrigo para nomes da base governista e integrantes do alto escalão interessados em disputar as eleições. O movimento não foi por acaso. Houve articulação e aval claro para fortalecer o MDB, que até pouco tempo ocupava um papel secundário, quase inexpressivo, no cenário político local.
Na disputa pela Câmara Federal, o partido reúne nomes de peso: Minoru Kinpara, ex-presidente da Fundação Elias Mansour, Pedro Longo, que já liderou o governo na Aleac, a deputada federal Antônia Lúcia, que deixou o grupo de Alan Rick para se filiar à legenda, além de Ney Amorim, ex-secretário de Esportes.
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Na Assembleia Legislativa, o cenário se repete. O MDB mantém Antonia Sales e Tanízio Sá, ambos com mandato, e ainda incorpora Luiz Gonzaga, ex-presidente da Casa, reforçando ainda mais a chapa.
O contraste é evidente. De uma legenda que saiu das urnas sem representação federal, o MDB passa a ocupar posição privilegiada na disputa, graças a um redesenho político conduzido dentro da base do governo de Gladson e Mailza.
Um acordo bom para os dois lados
Como parte desse rearranjo político, o MDB deve indicar o nome para vice na chapa da governadora Mailza Assis, e a escolhida é a ex-deputada Jéssica Sales. A movimentação atende a uma necessidade clara: fortalecer a presença no Juruá, região estratégica e onde o grupo político da família Sales tem influência consolidada.
Mas a equação está longe de ser equilibrada.
De um lado, o MDB recebeu uma injeção de nomes que transformaram completamente suas chapas, tanto para deputado federal quanto estadual, tirando o partido de uma condição quase irrelevante para colocá-lo entre os mais competitivos do estado. De outro, entrega a vice, um espaço importante, mas que não compensa, na mesma proporção, o pacote político recebido.
Na prática, foi uma troca de interesses. O MDB precisava sair do fundo do poço eleitoral. Mailza precisava de um nome forte no Juruá. Cada lado resolveu seu problema.

