Com apenas 11 dias de vida, o pequeno Teodoro Costa mobilizou uma força-tarefa da saúde pública acreana para ser transferido em UTI aérea a São Paulo, onde passará por tratamento especializado para uma grave cardiopatia congênita. A operação envolveu equipes médicas, regulação estadual e logística emergencial para garantir que o bebê chegasse com segurança a um centro de referência nacional.
Teodoro foi diagnosticado com transposição das grandes artérias, uma alteração cardíaca séria que exige intervenção cirúrgica urgente. Diante da complexidade do caso, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) articulou vaga no Hospital de Base de São José do Rio Preto, no interior paulista, unidade reconhecida em procedimentos de alta complexidade.
Segundo a equipe médica, a transferência foi definida por critérios técnicos e pela necessidade de acesso imediato a uma estrutura hospitalar mais preparada para esse tipo de cirurgia delicada.
“O paciente tem um bom peso, está sendo assistido adequadamente, mas, pela complexidade da patologia, entendemos que a melhor conduta é a transferência imediata para um centro com mais recursos. Essa decisão não está relacionada à falta de profissionais, mas à necessidade de um suporte específico para esse tipo de cirurgia”, explicou o médico responsável pela UTI aérea, Dr. Jardson Batista.
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Para o transporte, foi montada uma UTI aérea equipada com suporte intensivo neonatal, além de profissionais especializados durante todo o trajeto. A mãe da criança também acompanhou o filho na viagem.
Em meio à apreensão, Fernanda da Costa Ferreira, de 21 anos, mãe de Teodoro, relatou confiança no atendimento recebido desde a internação no Acre.
“Desde que cheguei, fomos atendidos com urgência. Ele foi muito bem assistido, sempre com profissionais acompanhando de perto. Me explicaram tudo, inclusive sobre a transferência. Estou confiante e acreditando que vai dar tudo certo”, afirmou.
O recém-nascido foi paciente do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), mecanismo utilizado para garantir que pacientes tenham acesso a procedimentos indisponíveis no estado de origem. No Acre, onde limitações geográficas e estruturais desafiam a oferta de serviços de alta complexidade, o programa se tornou essencial para salvar vidas.
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Com informações da Agência de Notícias
Entenda como funciona o Tratamento Fora de Domicílio (TFD)
O Tratamento Fora de Domicílio (TFD) é um programa do Sistema Único de Saúde (SUS) criado para garantir atendimento médico a pacientes que precisam realizar consultas, exames, cirurgias ou tratamentos não disponíveis no município ou no estado onde moram.
Na prática, quando a rede pública local não possui estrutura, especialistas ou equipamentos necessários para determinado procedimento, o paciente pode ser encaminhado para outra cidade ou até outro estado onde exista o serviço adequado.
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Para ter acesso ao TFD, o paciente precisa passar por avaliação médica e pela regulação da Secretaria de Saúde, que analisa a necessidade clínica, a urgência do caso e a disponibilidade de vagas em unidades de referência. Após aprovação, são organizados os encaminhamentos e a logística da viagem.
Dependendo da situação, o programa pode custear transporte terrestre, aéreo ou fluvial, além de ajuda de custo para alimentação e hospedagem do paciente e, em alguns casos, de um acompanhante.
Em estados como o Acre, onde a distância dos grandes centros e a limitação de serviços de alta complexidade ainda são desafios, o TFD tem papel fundamental. O programa permite que moradores tenham acesso a tratamentos especializados sem precisar arcar sozinhos com despesas elevadas, garantindo mais igualdade no atendimento à saúde pública.

