Servidores da Escola Estadual Professor José Rodrigues Leite denunciaram à Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre a existência de um ambiente institucional marcado por hostilidade, perseguição funcional e assédio moral dentro da unidade. As informações constam de um requerimento formal encaminhado à ouvidoria do órgão e obtido pelo ContilNet.
No documento, os profissionais afirmam que a gestão escolar teria deixado de atuar como instância pedagógica de mediação de conflitos e passado a contribuir para um cenário de constrangimento, desequilíbrio institucional e sucessivos embates internos.
Segundo os relatos, haveria um padrão de atuação considerado pelos denunciantes como rigoroso em relação aos servidores, ao mesmo tempo em que condutas inadequadas de alunos seriam tratadas com maior tolerância. A suposta assimetria, dizem, teria contribuído para o agravamento do clima organizacional e para o desgaste emocional de professores e demais trabalhadores da escola.
Os denunciantes também relatam que situações de conflito vêm sendo conduzidas sem mediação pedagógica adequada, com incentivo ou legitimação de denúncias contra docentes, inclusive com exposição pública e informal de acusações. Em alguns casos, segundo o documento, episódios internos teriam sido encaminhados para instâncias externas sem tentativa prévia de solução dentro da escola.
Um dos pontos citados envolve o acompanhamento de um aluno maior de idade por integrante da coordenação até uma delegacia, em circunstância que, para os servidores, extrapolaria as atribuições pedagógicas da função e indicaria envolvimento indevido da gestão em conflitos direcionados contra professores.
A denúncia também menciona a existência de um vídeo, encaminhado à reportagem, em que estudantes aparecem em situação de desordem em sala de aula, com atitudes de indisciplina e possível dano ao patrimônio público. Para os autores do requerimento, o episódio não seria isolado, mas parte de uma rotina que evidenciaria a falta de medidas eficazes para coibir esse tipo de comportamento.
Esse ponto ganha relevância, segundo os denunciantes, diante de um memorando oficial expedido pela própria escola solicitando, com urgência, itens como armários, mesas, cadeiras giratórias e 50 carteiras universitárias à Secretaria de Educação, sob a justificativa de insuficiência de recursos no ano letivo anterior. A situação levanta questionamentos sobre a gestão do patrimônio e as ações de prevenção a danos dentro da unidade.
Outro aspecto destacado no documento é o alegado enfraquecimento da autoridade docente. Professores relatam que, ao tentar fazer cumprir regras internas e acordos pedagógicos estabelecidos com as turmas, não estariam recebendo respaldo institucional, o que contribuiria para a escalada de conflitos e para a exposição dos profissionais.
Além disso, há queixas de cobranças consideradas excessivas, constrangimentos e ausência de suporte psicológico aos servidores, mesmo diante de relatos de adoecimento emocional. Para os denunciantes, a falta de apoio institucional amplia o impacto da situação e reforça a necessidade de intervenção por parte do poder público.
Secretaria diz que abriu sindicância
Em nota, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre, informou que tem conhecimento formal das denúncias envolvendo a unidade escolar.
Segundo a pasta, foi instaurado processo de sindicância administrativa para apuração dos fatos, conforme os trâmites legais da administração pública. O Departamento de Segurança Escolar acompanha o caso e realiza os encaminhamentos considerados necessários.
A secretaria afirma que o objetivo é assegurar um ambiente escolar adequado, seguro e respeitoso para servidores e comunidade escolar, e que denúncias dessa natureza são tratadas com seriedade, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
Ainda de acordo com a SEE, por se tratar de procedimento em andamento, detalhes do caso permanecem sob sigilo, nos termos da legislação vigente.
Veja a nota na íntegra:
O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE), informa que tem conhecimento formal das denúncias envolvendo a Escola José Rodrigues Leite.
Sobre o caso, esclarece que foi instaurado processo de sindicância administrativa para apuração dos fatos relatados, em conformidade com os trâmites legais da administração pública.
O Departamento de Segurança Escolar da SEE está acompanhando a situação e realizando os encaminhamentos cabíveis, com o objetivo de assegurar um ambiente escolar adequado, seguro e respeitoso para os servidores e para a comunidade escolar.
A Secretaria reforça que denúncias dessa natureza são tratadas com seriedade, observando o devido processo legal, o direito ao contraditório e à ampla defesa. As providências seguem em andamento nos órgãos competentes.
Por se tratar de procedimento administrativo em curso, eventuais detalhes permanecem resguardados nos termos da legislação vigente.
Rio Branco, Acre, 9 de abril de 2026.
Reginaldo Luís Pereira Prates
Secretário de Estado de Educação e Cultura

