PF avalia conclusão de inquérito do Banco Master sem delação de Vorcaro

Novas provas obtidas na Operação Compliance Zero fortalecem inquérito da Polícia Federal

Por Redação ContilNet 10/05/2026 às 15:45

A Polícia Federal avançou de forma decisiva nas investigações sobre a suposta fraude bilionária envolvendo o Banco Master e já avalia a possibilidade de concluir o inquérito mesmo sem um acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central do esquema investigado. As informações são do Metrópoles.

As novas provas reunidas durante a quinta fase da Operação Compliance Zero mudaram o cenário das apurações e ampliaram a pressão sobre o empresário, preso preventivamente desde março. Investigadores consideram que o material apreendido nas últimas ações já forma um conjunto robusto de evidências, capaz de sustentar denúncias criminais independentemente da colaboração do banqueiro.

A nova etapa da operação também elevou o tom político da investigação ao atingir figuras ligadas ao Centrão, entre elas o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais líderes do bloco no Congresso Nacional.

Segundo informações obtidas pela investigação, mensagens interceptadas mencionariam supostos repasses mensais de até R$ 500 mil ao parlamentar em troca de favorecimento político e articulações no Congresso. A PF também apura pagamentos de despesas pessoais atribuídas ao Banco Master, como hospedagens, voos e contas em restaurantes.

Ciro Nogueira nega irregularidades e afirma ser alvo de perseguição política.

PF vê tentativa de “colaboração seletiva”

Nos bastidores da investigação, integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República avaliam que Daniel Vorcaro estaria tentando construir uma “colaboração seletiva”, omitindo nomes considerados estratégicos e deixando de apresentar informações consideradas essenciais sobre o destino dos recursos investigados.

A percepção dos investigadores ganhou força após a apreensão de oito celulares e um computador ligados ao banqueiro, além da prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel e apontado pela PF como integrante do núcleo financeiro-operacional do esquema.

Com isso, cresce dentro da investigação a possibilidade de rejeição do acordo de delação caso as informações apresentadas não tragam fatos inéditos nem provas concretas que reforcem as acusações já existentes.

Pela legislação brasileira, além de relatar fatos relevantes, o colaborador precisa apresentar elementos materiais que comprovem suas declarações, como documentos, registros financeiros, vídeos, áudios ou mensagens.

Novos personagens 

A quinta fase da Compliance Zero abriu uma nova frente de investigação focada nas conexões políticas e empresariais de Vorcaro.
Entre os novos alvos citados pela PF estão:

  • Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, descrito como peça importante da engrenagem financeira investigada;
  • Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira e administrador da empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., apontada como possível mecanismo de repasses financeiros;
  • Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, suspeito de atuar como operador responsável pela inserção de dinheiro em espécie no sistema financeiro formal.

A investigação também cita a proximidade de Vorcaro com outras figuras influentes do Centrão. Um dos episódios analisados envolve o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, que teria utilizado um helicóptero do empresário após o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, em 2024.

Prisão deve continuar

Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, quando foi deflagrada a terceira fase da operação. A investigação apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB), além de possíveis crimes financeiros, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Nos bastidores da PF, a avaliação é de que um eventual pedido de habeas corpus enfrenta grandes dificuldades diante da quantidade de provas reunidas e da repercussão nacional do caso.

O inquérito atual segue válido até meados deste mês, mas investigadores já trabalham com a possibilidade de solicitar nova prorrogação ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

O que diz Ciro Nogueira

Após ser alvo da operação, o senador Ciro Nogueira afirmou, em publicação nas redes sociais, que sofre perseguição política e tentativa de desgaste em ano pré-eleitoral.

“Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos”, declarou o parlamentar.

A defesa dos demais investigados ainda não se manifestou oficialmente sobre as novas informações reveladas pela operação.

Com informações do Metrópoles

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.