O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para 25 de março o julgamento da denĂșncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros acusados na denĂșncia de tentativa de golpe de Estado. Na tarde desta quinta-feira (13/3), o ministro Alexandre de Moraes havia solicitado que o magistrado â que Ă© presidente do colegiado â definisse uma data para a anĂĄlise do caso.
Caso a denĂșncia seja aceita, Bolsonaro e os outros denunciados deixarĂŁo de ser indiciados e passarĂŁo a ser rĂ©us pela trama golpista. Moraes liberou a denĂșncia para anĂĄlise apĂłs a Procuradoria-Geral da RepĂșblica (PGR) reiterar a Suprema Corte que Bolsonaro e outros investigados devem virar rĂ©us por suposto envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.

Caso a denĂșncia seja aceita, Bolsonaro e os outros denunciados deixarĂŁo de ser indiciados e passarĂŁo a ser rĂ©us pela trama golpista/Foto: Evaristo Sa / AFP
A expectativa Ă© de que a Primeira Turma aceite, por unanimidade, tornar Bolsonaro e os outros denunciados em rĂ©us. O colegiado Ă© composto pelo ministro Alexandre de Moraes, que Ă© relator do processo, alĂ©m de Luiz Fux, CĂĄrmen LĂșcia, FlĂĄvio Dino e Cristiano Zanin.
 Os ministros Nunes Marques e AndrĂ© Mendonça, indicados pelo ex-presidente, ficarĂŁo de fora do julgamento, pois pertencem Ă Segunda Turma, assim como Gilmar Mendes, Edson Fachin e Dias Toffoli. Segundo as regras da Corte, o presidente do STF, LuĂs Roberto Barroso, tambĂ©m nĂŁo poderĂĄ participar, pois nĂŁo integra nenhum dos colegiados menores e sĂł pode votar nas açÔes em plenĂĄrio.
O ministro Alexandre de Moraes liberou para anĂĄlise da 1ÂȘ Turma a denĂșncia da Procuradoria contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros indiciados pela tentativa de golpe de Estado. No mesmo despacho, publicado nesta quinta-feira, o magistrado solicitou que Cristiano Zanin, presidente do colegiado, defina uma data para o julgamento da acusação.
Moraes liberou a denĂșncia apĂłs a PGR reiterar a Suprema Corte que Bolsonaro e outros investigados devem virar rĂ©us por suposto envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. O procurador-geral da RepĂșblica, Paulo Gonet, rejeitou o pedido para transferir o julgamento do caso para a 1ÂȘ InstĂąncia e decidiu manter no STF. Ele seguiu o novo entendimento da Corte, estabelecido nesta semana, sobre manter crimes que envolvem acusados com foro privilegiado na Corte.
A manifestação da PGR se refere apenas ao primeiro grupo dos quatro denunciados â que Ă© o nĂșcleo central da organização criminosa.
Tentativa de golpe
A PGR denunciou, no mĂȘs passado, o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas por estimular e realizar atos contra os TrĂȘs Poderes e contra o Estado DemocrĂĄtico de Direito. Segundo o ĂłrgĂŁo, o ex-chefe do Planalto tinha ciĂȘncia e participação ativa em uma trama golpista para se manter no poder e impedir a posse do presidente eleito Luiz InĂĄcio Lula da Silva.
A denĂșncia destaca um plano de assassinato contra autoridades e o apoio aos atos antidemocrĂĄticos de 8 de janeiro de 2023 como a Ășltima cartada do grupo criminoso. TambĂ©m foram denunciados o ex-ministro e ex-vice na chapa de Bolsonaro, o general Braga Netto; e o ex-ajudante de ordens tenente-coronel Mauro Cid.
Os envolvidos sĂŁo acusados de crimes como organização criminosa, tentativa de golpe de Estado, dano ao patrimĂŽnio pĂșblico e abolição violenta do Estado DemocrĂĄtico de Direito. As investigaçÔes foram baseadas na delação de Mauro Cid, em documentos, testemunhos e registros digitais coletados pela PolĂcia Federal e analisados pela PGR.
