Dezenas de produtores rurais e agricultores foram Ă Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) nesta terça-feira (27) para serem ouvidos pelos deputados sobre as consequĂȘncias dos embargos e multas que tĂȘm recebido dos ĂłrgĂŁos ambientais, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais RenovĂĄveis (Ibama).

Produtores afirmam que podem perder propriedades por conta de embargos e pedem anistia na Aleac. Foto: ContilNet
Na ocasião, o deputado Tanizio Så (MDB), que sugeriu suspender o grande expediente da sessão desta terça para ouvir os produtores, pediu anistia aos que foram multados e penalizados pelos órgãos.
O produtor José Augusto Pinheiro, presidente da Associação dos Pequenos e Médios Produtores Rurais e Pecuaristas de Rio Branco, disse que mais de 400 produtores podem ser penalizados a qualquer momento e perder até suas terras por conta das açÔes dos órgãos ambientais.

Produtor José Augusto Pinheiro, presidente da Associação dos Pequenos e Médios Produtores Rurais e Pecuaristas de Rio Branco. Foto: ContilNet
âNa verdade, nĂłs fomos pegos de surpresa, porque atĂ© o presente momento o Ibama ainda nĂŁo chegou a nenhuma propriedade. O pessoal que pesquisou na internet achou a publicação de um decreto nĂșmero 12 do Ibama, que atinge o pessoal da Transacreana, mais de 400 produtores rurais notificados, e dĂĄ um prazo de 30 dias para entrar com um pedido de regularização. Se nĂŁo pedir a regularização, vai sofrer sançÔes a partir dos 30 dias, podendo perder a propriedade e ter seus bens confiscados, como animais domĂ©sticos, entre outros bensâ, afirmou.
José e os demais produtores pedem uma anistia e o fim das penalidades.
âEntĂŁo, nĂłs fomos pegos de surpresa. E hoje nĂłs nos mobilizamos, fizemos uma concentração ali na entrada da Transacreana e decidimos vir Ă Assembleia Legislativa pedir um auxĂlio e um apoio aos deputados desta casa. Estamos pedindo para que o Ibama possa anistiar todos os produtores rurais quanto Ă questĂŁo das multas e dos passivos ambientais, que retire esses embargos das propriedades dos produtores rurais, pais de famĂlia que nasceram e se criaram nesta regiĂŁoâ, acrescentou.
O produtor afirmou que não då para saber quais foram as multas aplicadas e do que se tratam as sançÔes.
âQue esta casa possa ajudar a gente tambĂ©m nesse debate, possa marcar uma audiĂȘncia pĂșblica com o Ibama, a superintendĂȘncia no Acre, que os deputados federais e senadores possam estar conversando com o Ibama a nĂvel nacional, em BrasĂlia. E nĂłs, produtores rurais, estamos nessa situação aqui. NinguĂ©m sabe o que vai acontecer daqui a 30 dias, nĂ©? NinguĂ©m sabe do que se tratam esses embargos, porque eles pegaram lĂĄ do escritĂłrio, lĂĄ em BrasĂlia, via satĂ©lite, e foram passando por satĂ©lite, passando por cima, e identificaram os carros e o CPF dos produtores rurais. E eles foram alinhavando aquilo ali e colocaram no decreto, porque ninguĂ©m sabe o que estĂĄ dizendo ali, porque nĂŁo tem. EstĂĄ sĂł dizendo que ali hĂĄ passivos ambientais. E aĂ a gente nĂŁo sabe o que pode acontecer depois dos 30 dias. JĂĄ estĂŁo dizendo que a gente pode perder a propriedade, perder os bens, ser confiscados pelo Estadoâ, pontuou.
O deputado Tanizio apoiou a possibilidade de uma anistia, mas o deputado Eduardo Ribeiro argumentou que a proposta Ă© mais complicada, devendo a categoria buscar outras formas de anular os embargos.
âPrecisamos de uma anistia para esses produtores. NĂŁo estou aqui pedindo anistia para presidente ou deputado, mas para os nossos produtoresâ, disse Tanizio.
âPensar numa anistia Ă© algo mais completo e delicado, tendo em vista a discussĂŁo sobre isso no nosso Congresso Nacional. O que precisamos fazer Ă© discutir essa situação em Ăąmbito nacional, conversar com o Ibama e mobilizar o governo em torno dessa pautaâ, finalizou Eduardo Ribeiro, que colocou seu mandato Ă disposição dos produtores.


