Pesquisadores descobrem no Acre nova espécie de sapo de apenas 1,5 centímetro e altamente venenoso

A espécie foi encontrada em uma área remota da floresta acreana, acessível apenas após uma longa expedição de avião, barco e caminhada em mata fechada

Por Vitor Paiva, ContilNet 27/05/2025 às 16:13 Atualizado: há 11 meses

Uma nova e perigosa espécie de sapo venenoso foi descoberta no coração da floresta amazônica, na região do baixo Rio Juruá, no Acre. Com apenas 1,5 centímetro de comprimento, o animal surpreendeu os cientistas não só pelo tamanho minúsculo e pelas cores vibrantes — azul-celeste nas costas e pernas com tonalidade cobre metálico —, mas principalmente pelo seu alto grau de toxicidade, considerado letal inclusive em girinos.

Pesquisadores descobrem no Acre nova espécie de sapo de apenas 1,5 centímetro e altamente venenoso

O sapo é altamente venenoso/Foto: Reprodução

Batizado de Ranitomeya aetherea (também mencionado como Ranitomeya aquamarina em referência à coloração marcante), o anfíbio representa a primeira nova espécie a ser descrita do gênero Ranitomeya em uma década. A descoberta foi feita por uma equipe de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em colaboração com cientistas do Museu Nacional da República Tcheca, e publicada em revistas científicas como PLOS ONE e ZooKeys.

Apesar do visual encantador e aparência quase metálica, o sapo carrega toxinas potentes, sendo classificado como altamente venenoso, o que chamou atenção dos especialistas da vida selvagem. “Miúdo, mas extremamente perigoso”, destacam os pesquisadores, reforçando que o veneno pode ser letal e está presente em todas as fases de vida do animal.

A espécie foi encontrada em uma área remota da floresta acreana, acessível apenas após uma longa expedição de avião, barco e caminhada em mata fechada com o auxílio de guias locais. O ambiente dominado por palmeiras e bananeiras-bravas revelou esse sapo único, que também possui um chamado de acasalamento característico, composto por até 35 notas curtas.

O estudo genético confirmou que se trata de uma espécie inédita. Além da coloração marcante, o sapo se destaca por uma barriga de textura granular em formato de anel — uma característica jamais observada em outros membros do mesmo gênero.

Segundo os cientistas, a descoberta reforça o quanto a biodiversidade da Amazônia, especialmente no Acre, ainda é pouco conhecida. “Embora estejamos apenas dando os primeiros passos para desvendar a biodiversidade desta área, já temos evidências da extraordinária riqueza da fauna local”, afirmam os autores da pesquisa.

Em publicação nas redes sociais, o pesquisador Alexander Tamanini Mônico, pós-doutorando pelo Inpa, celebrou a descoberta: “Pessoalmente, essa descoberta trouxe desafios, crescimento e, acima de tudo, esperança”.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.