PrĂĄtica do ‘chemsex’ cresce no Brasil e preocupa especialistas por riscos Ă  saĂșde mental e fĂ­sica

Psiquiatra Arthur Guerra e o ativista João Geraldo Neto discutem impactos do sexo associado a drogas, estratégias de redução de danos e o papel da informação na prevenção

Por CBN 03/08/2025 Ă s 11:05

A associação entre sexo e uso de substĂąncias quĂ­micas — prĂĄtica conhecida como chemsex ou sexo quĂ­mico — tem ganhado força no Brasil e acendido alertas entre especialistas em saĂșde pĂșblica. Dados de um estudo publicado no periĂłdico cientĂ­fico Health Care apontam que cerca de 13% da população mundial jĂĄ se envolveu em prĂĄticas de sexo quĂ­mico. No paĂ­s, o fenĂŽmeno tem se espalhado especialmente em grandes centros urbanos como SĂŁo Paulo, Rio de Janeiro e BrasĂ­lia.

Para compreender melhor os riscos e possĂ­veis caminhos de enfrentamento, a CBN ouviu o psiquiatra Arthur Guerra, coordenador do NĂșcleo de Drogas e Álcool do Hospital SĂ­rio-LibanĂȘs, e JoĂŁo Geraldo Neto, especialista em sexualidade, mobilizador social e criador do chatbot SynĂŽ, plataforma voltada Ă  redução de danos em prĂĄticas de sexo quĂ­mico.

‘Estamos diante de um problema sĂ©rio, que jĂĄ representa um desafio concreto nos serviços de saĂșde. Em uma clĂ­nica onde atuo, de 16 pacientes internados, trĂȘs estĂŁo ali por questĂ”es diretamente relacionadas ao chemsex’, relatou o doutor Arthur Guerra.

PrĂĄtica do ‘chemsex’ cresce no Brasil e preocupa especialistas por riscos Ă  saĂșde mental e fĂ­sica

PrĂĄtica do ‘chemsex’ cresce no Brasil e preocupa especialistas por riscos Ă  saĂșde mental e fĂ­sica/Foto: Reprodução

Segundo o psiquiatra, o uso de substĂąncias como metanfetamina, GHB (conhecido como “ĂȘxtase lĂ­quido”) e outras drogas estimulantes e depressoras tem como objetivo intensificar sensaçÔes sexuais, mas pode gerar rĂĄpida dependĂȘncia, agravada por questĂ”es emocionais e quadros prĂ©vios de depressĂŁo, ansiedade ou isolamento social.

‘Algumas pessoas buscam essas drogas como uma bengala emocional. Há um prazer intenso, mas curto, seguido de vazio, frustração e vontade de repetir. Isso acaba virando um ciclo de compulsão’, afirmou Guerra.

JoĂŁo Geraldo Neto, que atua hĂĄ anos com acolhimento e orientação sobre HIV e sexualidade, explica que o crescimento da prĂĄtica se dĂĄ especialmente entre homens que fazem sexo com homens e tem forte ligação com o uso de aplicativos de encontros e festas privadas. Para atender essa população, ele desenvolveu o chatbot SynĂŽ, acessĂ­vel via WhatsApp e treinado para oferecer informaçÔes e acolhimento em portuguĂȘs, espanhol e inglĂȘs.

‘O SynĂŽ Ă© um robĂŽ que atua 24 horas por dia e orienta sobre redução de danos, identificando, por exemplo, combinaçÔes perigosas de substĂąncias ou sinais de risco nos prĂłprios emojis usados em aplicativos. É uma forma de informar, acolher e orientar sem julgamento’, explicou JoĂŁo.

O chatbot SynĂŽ pode ser acessado gratuitamente pelo nĂșmero (62) 98111-8873, via WhatsApp. TambĂ©m Ă© possĂ­vel encontrĂĄ-lo pelo Instagram do Instituto Multiverso (@multiversoinstituto), onde estĂĄ disponĂ­vel o link direto na bio.

JoĂŁo destaca que o Instituto adota uma abordagem pragmĂĄtica. ‘Algumas pessoas nĂŁo querem parar de usar. A gente nĂŁo incentiva o uso, mas entende que, com informação, Ă© possĂ­vel reduzir os danos, evitar overdoses e preservar vidas’, completou.

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