Canetas emagrecedoras: obesidade pet começa no comportamento humano

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Canetas emagrecedoras: obesidade pet começa no comportamento humano

Recentemente, foi anunciado que a febre das canetas emagrecedoras chegou até os pets. Uma empresa farmacêutica nos Estados Unidos iniciou testes do remédio em gatos, mas o objetivo é também proporcionar perda de peso para os cães.

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No entanto, é preciso avaliar o que leva um animal de estimação a precisar usar remédios para emagrecer. Se não é ele que controla a própria comida, os tutores devem prestar atenção em como estão alimentando seus bichinhos. Na maior parte dos casos, a obesidade em cães e gatos é de responsabilidade do dono.

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Divulgação

Renata Roma, pesquisadora na University of Saskatchewan (Canadá) e especialista em vínculo com animais, afirma que o comportamento humano influencia diretamente o peso dos pets. “Muitos tutores oferecem alimentos calóricos ou inadequados para a dieta, sem perceber que esses itens não têm os nutrientes necessários.”

Comportamento humano é o principal problema

Ela explica que as escolhas que o tutor faz impactam significativamente na saúde do animal. “Quando isso se soma a uma rotina pobre em atividades físicas, ele não só ganha peso, como também desenvolve problemas metabólicos, articulares e uma queda geral na qualidade de vida.”

Cleber Santos, do Grupo Comportpet, afirma que a obesidade não é um problema que ocorre na falta do remédio. “Soluções emagrecedoras podem existir, mas não substituem o que realmente transforma a saúde: atividade física e mental, enriquecimento ambiental, alimentação correta e orientação profissional.”

gato obesoA obesidade em cães e gatos é fruto de comportamentos inadequados dos donos

Segundo ele, alguns dos erros mais comuns que os tutores cometem são:

  • Alimentação deixada à vontade o dia todo;
  • Petiscos excessivos;
  • Comida humana, restos de mesa, guloseimas e pãozinho;
  • Falta de protocolo alimentar e horários definidos;
  • Não seguir as quantidades recomendadas pelo fabricante da ração;
  • Ração exposta por horas, oxidando e perdendo qualidade;
  • Falta de atividade física, mental e lúdica;
  • Falta de rotina estruturada.

Comida não é símbolo de afeto para os pets

Um dos problemas é que as pessoas confundem vínculo emocional com oferta de comida. “A alimentação vira uma forma de mimo, carinho ou até de compensar a falta de tempo para brincar, exercitar ou interagir com o pet. A intenção não é prejudicar, mas existe um equívoco de que mais comida significa mais amor”, explica Renata.

De acordo com a especialista, essa lógica é um dos fatores que acaba comprometendo a saúde dos caninos e dos bichanos, pois em vez de cuidar, o tutor cria um ciclo que reduz a qualidade de vida.

Tutora alimentando petPara os pets, a comida não deve ser símbolo de afeto

“Tudo isso desregula completamente o comportamento do cão, fazendo com que ele coma por tédio, ansiedade ou falta de estímulo — não por fome real”, complementa Cleber.

A mudança está nos seres humanos

Renata salienta que a mudança só começa quando a pessoa entende que fome real é diferente de mimar o pet. “Existem várias formas de deixá-lo feliz que não envolvem comida. Muitos tutores que oferecem em excesso têm dificuldades semelhantes na própria alimentação e acabam reproduzindo o mesmo padrão.”

Para Cleber, não existe uma solução mágica, como as canetas. Segundo ele, antes de pensar em medicação, o dono precisa levar o animal em um veterinário, ajustar a alimentação, cortar petiscos desnecessários e comida humana, criar uma rotina de atividades e controlar ansiedade e estresse — principais gatilhos.

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“Essas soluções emagrecedoras, como implantes ou canetas que reduzem apetite, podem até ter função em casos muito específicos e sob supervisão veterinária, mas não são a resposta principal para a obesidade pet. Elas tratam o sintoma, não a causa”, orienta o profissional.

Ele ainda acrescenta que qualquer fármaco deve ser visto como complemento, e não como caminho principal. Isso porque, principalmente no caso dos cães, o organismo não é preparado para viver medicado. “Sem mudança de comportamento, qualquer intervenção será ineficaz e potencialmente prejudicial”, alerta.

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