Descoberta de palmeira albina revela alto nível de preservação de estação ecológica no Acre

“Nunca estive em uma unidade tão bem conservada", disse pesquisadora da UFRJ

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet 18/02/2026 Atualizado: há 2 meses

A descoberta de dois exemplares de palmeira ouricuri albinas na Estação Ecológica (Esec) Rio Acre revela o alto nível de preservação da unidade de conservação (UC) federal. O achado é considerado um fenômeno raro.

A espécie não tem clorofila, e dependem de um ecossistema extremamente equilibrado para existir. A pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a integridade da área é o fator que possibilita tal fenômeno biológico.

“Nunca estive em uma unidade tão bem conservada. Isso propicia uma maior variabilidade de metabolismo e de fisiologia dos indivíduos de uma espécie”, afirma. Segundo ela, a Esec é uma referência de proteção na Amazônia e um laboratório vivo essencial para entender espécies que podem enfrentar riscos existenciais devido à mudança do clima. 

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Diferente dos parques nacionais, como o Parque Nacional da Serra do Divisor, em Mâncio Lima, no Acre, as estações ecológicas possuem regras mais restritas, como as visitas que são exclusivas para fins educacionais e científicos.

Foi durante uma expedição de campo, parceria entre UFRJ e a Universidade Federal do Acre (Ufac), com apoio total do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que as palmeiras foram identificadas. 

A ouricuri é considerada um recurso-chave no ecossistema local, servindo de alimento para grande parte da fauna, como araras e macacos; entretanto, o albinismo em plantas é um desafio à sobrevivência, já que a falta de clorofila impede a fotossíntese, pontua a professora.

“Os únicos relatos existentes de albinismo em plantas eram relacionados a cultivos, como tabaco e cacau, ou espécies de laboratório”, explica Portela, que estuda palmeiras há 20 anos. 

O financiamento da missão foi viabilizado pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA), com gestão financeira do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

Após a descoberta, os agentes temporários da Esec Rio Acre irão monitorar a evolução das palmeiras albinas, que enfrentam o desafio biológico de sobreviver sem o processo natural de fotossíntese. 

Criada em 1981, a Esec Rio Acre protege uma área de quase 80 mil hectares, equivalente ao território de Santa Catarina. Caracterizada como uma floresta ombrófila aberta, com forte presença de palmeiras e bambus, a Esec é um reduto de biodiversidade.

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