Levante Feminista convoca ato contra estupro coletivo e contratação de goleiro condenado

Movimento nacional denuncia cenário alarmante de violência de gênero no Acre e afirma que decisão da agremiação esportiva “normaliza o feminicídio”

Levante Feminista convoca ato em frente ao Florestão contra estupro coletivo e contratação de goleiro condenado por feminicídio
Levante Feminista convoca ato em frente ao Florestão contra estupro coletivo e contratação de goleiro condenado por feminicídio/Reprodução

O Levante Feminista contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio Acre realiza neste sábado, 28 de fevereiro, a partir das 15h, um ato público em frente ao Estádio Florestão, em Rio Branco. A mobilização denuncia o estupro coletivo ocorrido no alojamento do Vasco da Gama AC e a contratação do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio.

Integrante do movimento no estado e membro do comitê político nacional do Levante, Jade Cabeça afirma que o ato ocorre em um momento crítico para o Acre. Segundo ela, em 2025 o estado registrou o maior número proporcional de feminicídios do país: foram 14 casos, um aumento de 75% em relação a 2024, o que representa quase dois feminicídios por 100 mil habitantes.

“Estamos falando do estado que mais mata mulheres proporcionalmente no Brasil. Além disso, em 2025 foram registrados mais de 572 boletins de ocorrência por estupro, sendo 450 contra menores de 14 anos. Temos um cenário grave de violência doméstica, sexual e de gênero”, destaca.

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Para o movimento, a contratação do goleiro condenado por feminicídio em meio a esse contexto é simbólica e preocupante. “Ele não foi contratado em diversos lugares do Brasil e encontra espaço justamente em um estado com taxas altíssimas de feminicídio. E na mesma agremiação existe o caso recente de estupro coletivo envolvendo duas jovens. Isso não pode ser naturalizado”, afirma Jade.

A ativista ressalta que o protesto não é movido por perseguição individual, mas por uma crítica ao impacto social da decisão. “Não se trata de dizer se alguém merece ou não trabalhar. O que está em jogo é a mensagem que se passa. A contratação de um homem condenado por mandar matar a mãe do próprio filho, em um estado com recordes de violência contra mulheres, contribui para normalizar o feminicídio.”

O Levante Feminista reforça que o ato é aberto à população e busca ampliar o debate público sobre responsabilização, políticas de enfrentamento à violência de gênero e o papel das instituições na construção de uma cultura que não tolere agressões contra mulheres.

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