Acre lidera percentual de feminicĂ­dios com vĂ­timas que tinham medida protetiva no momento do crime

Levantamento nacional aponta que o percentual registrado no estado é quase o dobro da média brasileira

Por Redação, ContilNet 06/03/2026 às 06:20 Atualizado: hå 2 meses

O Acre apresentou o maior percentual de feminicĂ­dios de mulheres que possuĂ­am Medida Protetiva de UrgĂȘncia vigente no momento do crime, segundo a pesquisa “Retrato dos feminicĂ­dios no Brasil”, divulgada pelo FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica. De acordo com o levantamento, 25% das vĂ­timas no estado tinham medida protetiva quando foram assassinadas.

O estudo mostra que a média nacional é de 13,1%, o que coloca o Acre com um percentual próximo do dobro registrado no restante do país. Após o estado aparecem Mato Grosso (22,2%), São Paulo (21,7%) e Minas Gerais (16,7%).

No outro extremo do ranking estĂŁo Distrito Federal e MaranhĂŁo, ambos com 4,3%, seguidos por Alagoas (4,5%) e Mato Grosso do Sul (5,9%).

Levantamento nacional aponta que o percentual registrado no estado é quase o dobro da média brasileira.

Acre lidera feminicídios com vítimas sob medida protetiva/ Foto: Reprodução

Apesar do percentual elevado, os dados tambĂ©m precisam ser analisados em nĂșmeros absolutos. No Acre, dois casos de feminicĂ­dio registrados envolveram vĂ­timas que tinham medida protetiva vigente. A pesquisa considera a proporção em relação Ă  população, o que explica a posição do estado no ranking.

Segundo o levantamento, os dados indicam um problema estrutural: embora a concessĂŁo da medida protetiva seja considerada um mecanismo essencial de proteção, ela nem sempre tem sido suficiente para impedir a ocorrĂȘncia do feminicĂ­dio.

Recorde de feminicĂ­dios

Em 2025, o Acre registrou 14 casos de feminicĂ­dio, nĂșmero que iguala os recordes histĂłricos registrados em 2016 e 2018.

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O estado também aparece com a maior taxa de feminicídio do Brasil, segundo o estudo. Enquanto a média nacional foi de 1,43 casos por 100 mil mulheres, no Acre o índice chegou a 3,2.

Na sequĂȘncia aparecem RondĂŽnia (2,9), Mato Grosso (2,7) e Mato Grosso do Sul (2,6). As menores taxas foram registradas em Amazonas (0,9), CearĂĄ (1,0) e SĂŁo Paulo (1,1).

Dados nacionais

Em todo o país, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, o que representa aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.

O FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica tambĂ©m aponta que, desde a tipificação do crime de feminicĂ­dio em 2015, mais de 13 mil mulheres foram assassinadas no Brasil pela condição de serem mulheres.

O levantamento mostra ainda um padrão entre os autores dos crimes. Na maioria dos casos, o feminicídio é cometido por companheiros, maridos, ex-namorados, filhos, pais ou outros homens com relação próxima com a vítima.

De acordo com o estudo, o feminicĂ­dio geralmente ocorre em contexto de violĂȘncia domĂ©stica e familiar, sendo frequentemente o resultado de uma sequĂȘncia de abusos anteriores, que podem incluir violĂȘncia psicolĂłgica, fĂ­sica, sexual, moral ou patrimonial.

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