O Governo do Acre, por meio da Defesa Civil Estadual, iniciou uma corrida contra o tempo para blindar os 22 municípios rurais e urbanos contra os efeitos de uma possível estiagem histórica. Com projeções climáticas que indicam temperaturas extremas, ondas de calor e um risco elevado de incêndios florestais para 2026, o estado acionou um plano de gestão de riscos antecipado para evitar o desabastecimento e colapsos na saúde pública.
Equipes técnicas estão percorrendo todo o território acreano, promovendo reuniões estratégicas com gestores locais, secretarias e pesquisadores. O foco é a elaboração imediata de planos de contingência que possam mitigar os impactos diretos na produção rural, na piscicultura e no abastecimento de água potável.

Coronel Batista Oliveira coordena a distribuição de recursos e orientações técnicas em cidades do interior do Acre/ Foto: Dhárcules Pinheiro
Ciência e Gestão de Riscos
A mobilização conta com o suporte técnico da Universidade Federal do Acre (Ufac). O ecólogo e cientista ambiental Foster Brown alertou que a região MAP (Madre de Dios, Acre e Pando) vive um ciclo de eventos extremos intensificados pelo aquecimento global. “Desde 2010, enfrentamos um aumento na frequência de secas e queimadas. Essa integração entre universidade e Defesa Civil é essencial”, pontuou Brown.
Para o professor Anderson Mesquita, doutor em Geografia, o papel da academia é oferecer evidências que subsidiem as decisões do governo, garantindo que a comunicação em cenários de crise seja precisa e evite a desinformação.
Combate aos Incêndios e Saúde Pública
Um dos maiores temores das autoridades é o chamado “efeito multiplicador” do fogo. Durante o verão amazônico, pequenos focos em terrenos baldios urbanos podem se transformar rapidamente em grandes incêndios florestais devido à baixa umidade.

Pesquisadores da Ufac apresentam dados sobre o aquecimento global e os riscos hídricos para a região amazônica em 2026/ Foto: Dhárcules Pinheiro
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Batista Oliveira, reforçou que o momento é de preparação. “Estamos nos reunindo com universidades e gestores para entender o cenário e nos preparar para um período que tende a ser mais severo. Já mobilizamos equipes para orientar as defesas civis municipais e a população”, destacou.
Principais impactos monitorados:
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Saúde: Piora na qualidade do ar e aumento de doenças respiratórias.
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Economia: Prejuízos diretos na agricultura e pecuária, afetando a segurança alimentar.
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Abastecimento: Pressão sobre os sistemas de captação de água nas áreas urbanas e ribeirinhas.
A determinação da governadora Mailza Assis é que o Estado atue de forma itinerante, levando palestras a escolas e comunidades para transformar o cidadão em um monitor preventivo. A premissa é clara: o custo da prevenção é significativamente menor do que o reparo dos danos causados por desastres ambientais de grande magnitude.

