Conhecida como a maior fraudadora contra a PrevidĂȘncia Social, a ex-advogada Jorgina de Freitas, que morreu na terça-feira (19/7), aos 71 anos, no Rio de Janeiro, teve seu nome amplamente divulgado em 1991. Na Ă©poca, o nome dela foi envolvido em denĂșncias de que aposentadorias milionĂĄrias estavam sendo concedidas no estado.
Conhecida como a maior fraudadora contra a PrevidĂȘncia Social, a ex-advogada Jorgina de Freitas, que morreu na terça-feira (19/7), aos 71 anos, no Rio de Janeiro, teve seu nome amplamente divulgado em 1991. Na Ă©poca, o nome dela foi envolvido em denĂșncias de que aposentadorias milionĂĄrias estavam sendo concedidas no estado.

Jorgina de Freitas morreu na terça, 19 de julho de 2022 Reprodução / TV Globo

Jorgina de Freitas: fraude de R$ 2 bilhÔes no INSS Reprodução Rede Record

Jorgina de Freitas ficou presa por 12 anos após golpe no INSS Reprodução TV Justiça

Jorgina foi internada em dezembro de 2021 após acidente de carro Reprodução TV Justiça
Jorgina de Freitas, que tambĂ©m era ex-procuradora previdenciĂĄria, foi um dos principais alvos da investigação contra o caso que chegou a ser chamado de âEscĂąndalo da PrevidĂȘnciaâ, com atuação de um grupo de 20 fraudadores, entre eles advogados, contadores e juĂzes. Eles agiam na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.
Ela foi condenada em 1992 por organizar esquema de desvio de verbas de aposentadorias estimado em mais de 500 milhÔes de dólares, de acordo com cålculos da Procuradoria-Geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Depois, a Advocacia-Geral da União (AGU) atualizou o valor e informou que a fraude foi da ordem de aproximadamente R$ 2 bilhÔes.
De acordo com a condenação, Jorgina de Freitas integrava um grupo que superfaturava indenizaçÔes ou agia para concessĂŁo do benefĂcio para pessoas jĂĄ mortas. A maioria dos criminosos foi presa em julho de 1992, mas ela conseguiu sumir antes de a sentença ser proferida. Na Ă©poca, ela teve condenação de 14 anos de prisĂŁo.
Fuga do paĂs
Jorgina de Freitas ficou ainda mais conhecida por causa de sua fuga e pela capacidade de permanecer foragida por cinco anos. Ela viajou por vĂĄrios paĂses e passou por cirurgias plĂĄsticas para nĂŁo ser reconhecida. Depois, foi localizada na Costa Rica, onde concedeu uma entrevista Ă TV Globo.
Na entrevista, ela disse nunca ter usado passaportes falsos e que apenas trocou o nome de Jorgina Fernandes para Maria Fernandes, alĂ©m de negar qualquer envolvimento com a fraude contra a PrevidĂȘncia Social. Um mĂ©dico, porĂ©m, afirmou que a ex-advogada havia feito oito plĂĄsticas para tentar mudar a aparĂȘncia do rosto e nĂŁo ser reconhecida.
Cela individual
Em 1998, Jorgina de Freitas foi extraditada para o Brasil. Depois de uma negociação com a Justiça, ela teve a pena reduzida de 14 anos para 12 anos. Cumpriu pena em uma cela individual no BatalhĂŁo de Policiamento de TrĂąnsito da PolĂcia Militar, no Rio.
Em 2001, ela perdeu o direito Ă prisĂŁo especial depois de ter cassado seu registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Por isso, foi transferida para uma cela com outras detentas no presĂdio Nelson Hungria, no Complexo Frei Caneca, tambĂ©m no Rio.
SaĂda da prisĂŁo
Em maio de 2010, foi condenada a devolver ao INSS mais de R$ 200 milhÔes desviados, considerando o valor convertido para reais, e teve todos os bens bloqueados e autorizados a ir a leilão. Essa condenação também se estendeu a outros fraudadores. Jorgina foi solta em junho de 2010.
Entre os bens encontrados em seu nome, Jorgina tinha um imĂłvel que jĂĄ havia pertencido ao ex-presidente Eurico Gaspar Dutra, em PetrĂłpolis, e dois apartamentos na orla do Leblon, na Zona Sul do Rio, um dos endereços mais valorizados do paĂs.
Jorgina de Freitas estava internada desde dezembro de 2021, quando sofreu um acidente de carro. Ela morreu no Hospital Municipal AdĂŁo Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

