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Nutrição em Pauta

A corrida está em alta mas muita gente está esquecendo do básico

Por Nutrição em Pauta Fonte: Luana Diniz, ContilNet 20/07/2026 às 15:57

Nos últimos meses, basta olhar ao redor para perceber que a corrida virou um verdadeiro fenômeno. As provas estão lotadas, grupos de corrida surgem a todo momento e milhares de pessoas decidiram colocar um tênis nos pés e começar a correr.

E isso é uma excelente notícia.

A corrida é uma das atividades físicas mais acessíveis, melhora o condicionamento cardiovascular, ajuda no controle do peso, reduz o estresse e traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental.

Mas junto com esse crescimento, tenho observado um erro muito comum entre quem está começando: acreditar que correr é suficiente.

Na prática, muitos iniciantes passam a focar apenas nos quilômetros percorridos e acabam deixando de lado fatores que fazem tanta diferença quanto o próprio treino.

Alimentação é combustível, não detalhe

Uma das primeiras mudanças que vejo em muitos corredores é o medo de comer.

Existe a ideia de que, para emagrecer ou correr melhor, é preciso cortar carboidratos. Mas acontece justamente o contrário.

O carboidrato é a principal fonte de energia durante a corrida. Quando ele está insuficiente, o rendimento cai, o cansaço aparece mais cedo e a recuperação fica prejudicada.

Também não adianta consumir proteína em excesso e esquecer do restante da alimentação. Para recuperar a musculatura, produzir energia e manter a evolução, o organismo precisa de uma alimentação equilibrada, com proteínas, carboidratos, gorduras boas, vitaminas e minerais.

Não existe alimento milagroso. Existe planejamento.

Quem corre também precisa fazer musculação

Esse talvez seja o maior erro que vejo.

Muitas pessoas começam a correr e abandonam completamente a musculação porque acreditam que ela “atrapalha” ou não é mais necessária.

A ciência mostra exatamente o contrário.

O treinamento de força melhora a economia de corrida, aumenta a potência muscular, melhora a estabilidade das articulações e reduz significativamente o risco de lesões.

Além disso, fortalece músculos, tendões e ligamentos, preparando o corpo para suportar o impacto repetitivo da corrida.

Ou seja, a musculação não compete com a corrida. Ela faz o corredor correr melhor.

Recuperação também faz parte do treinamento

Outro ponto frequentemente esquecido é a recuperação.

Dormir pouco, treinar todos os dias sem descanso ou aumentar rapidamente o volume de corrida pode favorecer dores e lesões.

É durante o descanso que o organismo se adapta aos estímulos do treino.

Sem recuperação adequada, o risco de overtraining aumenta e a evolução diminui.

Treinar mais não significa evoluir mais.

Correr em jejum é realmente necessário?

Essa é outra dúvida muito comum.

Muitas pessoas começam a correr acreditando que o treino em jejum acelera o emagrecimento.

Na realidade, essa estratégia não é obrigatória e está longe de ser a melhor opção para todos.

Dependendo da intensidade e da duração do treino, correr sem uma alimentação adequada pode diminuir o rendimento, aumentar a sensação de fadiga e dificultar a recuperação muscular.

Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Hidratação também influencia no desempenho

Perder apenas uma pequena quantidade de líquidos já pode comprometer a performance.

A hidratação adequada antes, durante e após o treino ajuda a manter o desempenho, melhora a recuperação e reduz o risco de queda de rendimento, principalmente em dias quentes.

Não espere sentir sede para começar a beber água.

O melhor corredor não é quem apenas corre mais

Quem deseja evoluir na corrida precisa entender que o desempenho não depende apenas da quantidade de quilômetros percorridos.

Ele é resultado da soma de um treinamento bem planejado, alimentação adequada, fortalecimento muscular, hidratação, descanso e constância.

Correr é uma excelente escolha. Mas correr bem exige cuidar do corpo como um todo.

Quando esses pilares caminham juntos, os resultados aparecem de forma mais consistente, com menor risco de lesões e muito mais qualidade de vida.

Referências científicas

BURKE, L. M. et al. Carbohydrates for training and competition. Journal of Sports Sciences, v. 29, Suppl. 1, p. S17-S27, 2011.

THOMAS, D. T.; ERDMAN, K. A.; BURKE, L. M. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, v. 116, n. 3, p. 501-528, 2016.

GRGIC, J. et al. Effects of resistance training on endurance performance: a systematic review and meta-analysis. Sports Medicine, v. 48, p. 1117-1149, 2018.

BEHM, D. G. et al. Effects of resistance training on running performance and economy in distance runners: a systematic review. Sports Medicine, v. 47, n. 9, p. 1825-1839, 2017.

Luana Diniz 
Foto: Clara Lis

Luana Diniz – Nutricionista Clínica Esportiva | CRN7 16302

Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e pós-graduada em Nutrição Clínica Esportiva. Referência em emagrecimento, hipertrofia e recomposição corporal, com foco em resultados sustentáveis e estratégia individualizada.

Realiza atendimentos presenciais em Rio Branco (AC) e online, auxiliando pacientes a melhorar a relação com a alimentação, otimizar performance e transformar o corpo com consistência, sem radicalismos.

É colunista do ContilNet e parceira da Be Strong Fitness, levando informação de qualidade e prática para o dia a dia.

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