Nos últimos meses, basta olhar ao redor para perceber que a corrida virou um verdadeiro fenômeno. As provas estão lotadas, grupos de corrida surgem a todo momento e milhares de pessoas decidiram colocar um tênis nos pés e começar a correr.
E isso é uma excelente notícia.
A corrida é uma das atividades físicas mais acessíveis, melhora o condicionamento cardiovascular, ajuda no controle do peso, reduz o estresse e traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental.
Mas junto com esse crescimento, tenho observado um erro muito comum entre quem está começando: acreditar que correr é suficiente.
Na prática, muitos iniciantes passam a focar apenas nos quilômetros percorridos e acabam deixando de lado fatores que fazem tanta diferença quanto o próprio treino.
Alimentação é combustível, não detalhe
Uma das primeiras mudanças que vejo em muitos corredores é o medo de comer.
Existe a ideia de que, para emagrecer ou correr melhor, é preciso cortar carboidratos. Mas acontece justamente o contrário.
O carboidrato é a principal fonte de energia durante a corrida. Quando ele está insuficiente, o rendimento cai, o cansaço aparece mais cedo e a recuperação fica prejudicada.
Também não adianta consumir proteína em excesso e esquecer do restante da alimentação. Para recuperar a musculatura, produzir energia e manter a evolução, o organismo precisa de uma alimentação equilibrada, com proteínas, carboidratos, gorduras boas, vitaminas e minerais.
Não existe alimento milagroso. Existe planejamento.
Quem corre também precisa fazer musculação
Esse talvez seja o maior erro que vejo.
Muitas pessoas começam a correr e abandonam completamente a musculação porque acreditam que ela “atrapalha” ou não é mais necessária.
A ciência mostra exatamente o contrário.
O treinamento de força melhora a economia de corrida, aumenta a potência muscular, melhora a estabilidade das articulações e reduz significativamente o risco de lesões.
Além disso, fortalece músculos, tendões e ligamentos, preparando o corpo para suportar o impacto repetitivo da corrida.
Ou seja, a musculação não compete com a corrida. Ela faz o corredor correr melhor.
Recuperação também faz parte do treinamento
Outro ponto frequentemente esquecido é a recuperação.
Dormir pouco, treinar todos os dias sem descanso ou aumentar rapidamente o volume de corrida pode favorecer dores e lesões.
É durante o descanso que o organismo se adapta aos estímulos do treino.
Sem recuperação adequada, o risco de overtraining aumenta e a evolução diminui.
Treinar mais não significa evoluir mais.
Correr em jejum é realmente necessário?
Essa é outra dúvida muito comum.
Muitas pessoas começam a correr acreditando que o treino em jejum acelera o emagrecimento.
Na realidade, essa estratégia não é obrigatória e está longe de ser a melhor opção para todos.
Dependendo da intensidade e da duração do treino, correr sem uma alimentação adequada pode diminuir o rendimento, aumentar a sensação de fadiga e dificultar a recuperação muscular.
Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Hidratação também influencia no desempenho
Perder apenas uma pequena quantidade de líquidos já pode comprometer a performance.
A hidratação adequada antes, durante e após o treino ajuda a manter o desempenho, melhora a recuperação e reduz o risco de queda de rendimento, principalmente em dias quentes.
Não espere sentir sede para começar a beber água.
O melhor corredor não é quem apenas corre mais
Quem deseja evoluir na corrida precisa entender que o desempenho não depende apenas da quantidade de quilômetros percorridos.
Ele é resultado da soma de um treinamento bem planejado, alimentação adequada, fortalecimento muscular, hidratação, descanso e constância.
Correr é uma excelente escolha. Mas correr bem exige cuidar do corpo como um todo.
Quando esses pilares caminham juntos, os resultados aparecem de forma mais consistente, com menor risco de lesões e muito mais qualidade de vida.
Referências científicas
BURKE, L. M. et al. Carbohydrates for training and competition. Journal of Sports Sciences, v. 29, Suppl. 1, p. S17-S27, 2011.
THOMAS, D. T.; ERDMAN, K. A.; BURKE, L. M. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, v. 116, n. 3, p. 501-528, 2016.
GRGIC, J. et al. Effects of resistance training on endurance performance: a systematic review and meta-analysis. Sports Medicine, v. 48, p. 1117-1149, 2018.
BEHM, D. G. et al. Effects of resistance training on running performance and economy in distance runners: a systematic review. Sports Medicine, v. 47, n. 9, p. 1825-1839, 2017.

Luana Diniz
Foto: Clara Lis
Luana Diniz – Nutricionista Clínica Esportiva | CRN7 16302
Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e pós-graduada em Nutrição Clínica Esportiva. Referência em emagrecimento, hipertrofia e recomposição corporal, com foco em resultados sustentáveis e estratégia individualizada.
Realiza atendimentos presenciais em Rio Branco (AC) e online, auxiliando pacientes a melhorar a relação com a alimentação, otimizar performance e transformar o corpo com consistência, sem radicalismos.
É colunista do ContilNet e parceira da Be Strong Fitness, levando informação de qualidade e prática para o dia a dia.
