Acre defende criação de novo repasse financeiro federal para escolas isoladas

Nova modalidade flexível permite que estudantes trabalhadores concluam os estudos adaptando as aulas à rotina de emprego e família

Por Fhagner Soares, ContilNet 29/04/2026 às 13:05
Proposta busca garantir recursos federais proporcionais aos desafios logísticos de escolas isolada/ Foto: Vinícius Charife/SEE

O governo do Acre participou do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (Foncede), realizado em Belém nos dias 27 e 28 de abril, para discutir os desafios únicos do acesso ao ensino em regiões de floresta. Liderada pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), a comitiva acreana apresentou soluções estratégicas focadas em financiamento logístico, educação especial e inovação no ensino para jovens e adultos.

O debate sobre o custo da floresta

Um dos principais pontos defendidos pelo gestor Aberson Carvalho foi a institucionalização do “Fator Amazônico”. A proposta visa ajustar os repasses federais de programas como o Fundeb e o transporte escolar, considerando que os custos de manutenção de escolas em áreas isoladas são superiores à média nacional. Segundo a tese defendida, financiar realidades geográficas distintas com valores iguais aprofunda a desigualdade, já que garantir a infraestrutura básica na Amazônia é a condição primordial para a permanência do aluno na escola.

Referência em Educação Especial

O estado também levou ao fórum o seu modelo de inclusão, que atualmente atende mais de 14 mil estudantes com deficiências, transtornos e altas habilidades. A chefe do Departamento de Educação Especial, Hadhianne Peres, destacou que o Acre já atinge 64% de cobertura no Atendimento Educacional Especializado (AEE). O fortalecimento do setor foi impulsionado por um concurso público específico que resultou na contratação de 735 profissionais, entre especialistas em braille e intérpretes de Libras.

Modernização da EJA

Para o público que não concluiu os estudos na idade regular, o chefe do Departamento de Educação de Jovens e Adultos (EJA), Jessé Dantas, apresentou a “EJA Personalizada”. O formato inovador mescla aulas presenciais com atividades orientadas, permitindo que o plano de estudos seja adaptado à vida de quem trabalha. Além da flexibilidade pedagógica, o modelo permite matrículas em qualquer período do ano letivo, facilitando o retorno de jovens e idosos à vida escolar.

A presença do Acre no evento consolida o papel do estado como formulador de políticas públicas que buscam garantir o aprendizado tanto nos centros urbanos quanto nas comunidades ribeirinhas e de interior de floresta.

Conteúdo Original / Fonte: Fhagner Soares, ContilNet

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