A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a empresa Flyttr (anteriormente denominada Oxitec) a criar e fornecer exemplares do mosquito Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia. O micro-organismo atua como uma barreira biológica que impede o desenvolvimento e a transmissão dos vírus causadores da dengue, zika e chikungunya para a população.
Com a deliberação, o Brasil passa a contar com um segundo fornecedor privado para a tecnologia. Até a concessão do registro, a única estrutura credenciada a produzir os insetos no território nacional era a biofábrica Wolbito do Brasil, instalada em Curitiba (PR) e fruto de uma joint venture firmada em abril de 2024 entre a Fiocruz e a organização World Mosquito Program (WMP).
A Wolbachia é um micro-organismo encontrado naturalmente em cerca de 50% a 60% das espécies de insetos no mundo, embora não esteja presente no Aedes aegypti de forma espontânea. A técnica, desenvolvida em 2008 na Universidade de Monash, na Austrália, consiste em isolar a bactéria de moscas-da-fruta e inseri-la nos ovos do mosquito transmissor em ambiente laboratorial.
Dentro do inseto, a bactéria bloqueia a proliferação dos vírus. Com isso, os espécimes portadores da Wolbachia passam a apresentar uma carga viral significativamente reduzida, cortando o ciclo de contágio durante a picada. Pesquisas científicas apontam que a presenÇa do organismo nos vetores é capaz de reduzir em até 89% a circulação das arboviroses nas áreas impactadas.
Após o desenvolvimento em laboratório, os mosquitos infectados são liberados no meio ambiente para que se reproduzam com a população local. Por meio da transmissão hereditária, as novas gerações de Aedes aegypti passam a carregar a bactéria de forma permanente, reduzindo a capacidade infecciosa da espécie na região. A Wolbachia afeta exclusivamente os insetos, não existindo possibilidade de contágio ou risco para seres humanos e outros mamíferos.
A metodologia começou a ser testada no país em 2012, sob supervisão científica. A aplicação em larga escala em áreas urbanas teve início dois anos depois, tendo o município de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, como projeto-piloto pioneiro.
Conforme indicadores do Ministério da Saúde, a consolidação da tecnologia nas áreas contempladas gerou uma queda de 69,4% nos diagnósticos de dengue, redução de 56,3% nos registros de chikungunya e diminuição de 37% nos casos de zika.
