29/08/2026

Correios registram prejuízo de R$ 5,6 bilhões no 1º semestre

Estatal engata 16º trimestre consecutivo no vermelho; governo prevê socorro de R$ 6 bilhões no Orçamento de 2027

Por Redação ContilNet
Empresa tenta captar R$ 7 bilhões em bancos privados com garantia da União/ Foto: Reprodução

Os Correios divulgaram neste sábado (29) as demonstrações financeiras relativas ao primeiro semestre de 2026, apontando um prejuízo líquido de R$ 5,6 bilhões. Com o resultado, a empresa pública chega à marca de 16 trimestres consecutivos de saldo negativo nas contas.

O rombo verificado de janeiro a junho representa uma expansão de 30,4% em relação às perdas registradas no mesmo período do ano passado, quando a empresa havia acumulado um déficit de R$ 4,3 bilhões.

No detalhamento por período, o primeiro trimestre deste ano respondeu por R$ 3,16 bilhões negativos, enquanto o segundo trimestre teve uma desaceleração no ritmo de perdas, fechando em R$ 2,4 bilhões. O quadro dá sequência ao desempenho de 2025, ano em que a companhia registrou o pior resultado de sua história, com saldo negativo de R$ 8,5 bilhões.

Pressionada pela alta dos custos operacionais, gargalos logísticos e pelo avanço da concorrência de operadoras privadas no comércio eletrônico, a empresa tenta colocar em prática um plano de reestruturação para conter o déficit.

O balanço indica que a estatal obteve redução de custos com folha de pagamento no período. As despesas com empregados somaram R$ 6,9 bilhões no primeiro semestre, o que representa uma queda de 3,8% na comparação com os R$ 7,2 bilhões gastos nos primeiros seis meses do ano passado. No entanto, a diminuição não foi suficiente para compensar o recuo nas receitas operacionais da companhia.

Para contornar a crise de caixa, a empresa informou que negocia uma captação de R$ 7 bilhões junto a instituições financeiras privadas, operação que terá a União como fiadora.

“Encontra-se em estágio avançado de estruturação uma nova operação de crédito no montante aproximado de R$ 7 bilhões. A operação vem sendo discutida com potenciais instituições financeiras participantes, estando seus principais elementos econômico-financeiros e contratuais em fase avançada de alinhamento”, diz trecho do relatório financeiro.

Além da captação privada garantida pela União, o governo federal deve incluir um socorro financeiro direto à empresa na proposta orçamentária do próximo ano. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que será entregue ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31), trará a previsão de um empréstimo de R$ 6 bilhões para a estatal.

A medida visa assegurar a manutenção das operações da companhia, cobrindo despesas correntes e investimentos operacionais necessários. O aporte será realizado na modalidade de operação de crédito, com impacto no resultado nominal das contas públicas, sem afetar a meta de resultado primário do governo.

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