O Brasil registrou um avanço de 4% nos casos de feminicídio durante o ano de 2025, contabilizando 1.571 vítimas mortas em razão da condição do sexo feminino ou em contextos de violência doméstica, familiar e discriminação de gênero. O indicador vai na contramão da tendência de retração observada nos homicídios em geral e reforça a persistência da violência letal praticada no ambiente privado.
Os dados constam na 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23/7) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Enquanto os assassinatos absolutos de mulheres apresentaram redução de 5,1% — caindo de 3,728 ocorrências em 2024 para 3,539 em 2025 —, as mortes tipificadas como feminicídio mantiveram curva ascendente. Na avaliação de pesquisadoras do fórum e da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp), o cenário evidencia um recuo seletivo focado na criminalidade urbana, enquanto a violência perpetrada por conhecidos e parceiros dentro dos lares permanece sem reduções expressivas.
O levantamento estatístico detalha a prevalência de fatores demográficos e contextuais no cometimento dos feminicídios no país:
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Local do crime: 62,5% das vítimas foram assassinadas dentro da própria residência;
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Autoria: 60,9% dos casos foram praticados por parceiros íntimos das vítimas;
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Recorte racial: Mulheres negras representam 65,1% do total de mortas;
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Faixa etária: 56,5% das vítimas tinham entre 25 e 44 anos.
Além das mortes consumadas, as tentativas de feminicídio avançaram 5,9% em 2025, totalizando 4.189 sobreviventes. Estatisticamente, para cada feminicídio concretizado, o país registrou três tentativas não consumadas.
O relatório mapeou também a proporção de outros registros de violência contra a mulher para cada caso de feminicídio consumado no país: foram 501,9 ameaças; 182,2 agressões físicas; 84 descumprimentos de medidas protetivas de urgência; 78,8 registros de stalking (perseguição) e 38,7 episódios de violência psicológica.
O Anuário apontou a primeira retratação nos registros de estupro e estupro de vulnerável no Brasil desde o período da pandemia de coronavírus. Em 2025, foram notificados 84.388 casos — equivalente a uma ocorrência a cada seis minutos —, representando queda de 5,4% frente às 88.843 notificações computadas em 2024. A taxa nacional ficou em 39,5 casos para cada 100 mil habitantes.
Do total de vítimas de violência sexual:
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60,3% tinham até 13 anos de idade;
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27,1% eram crianças de 9 anos ou menos.
Pesquisadoras do FBSP ressaltam que a diminuição nos boletins de ocorrência precisa ser analisada com cautela devido à elevada subnotificação histórica que caracteriza os crimes sexuais. Estimativas balizadas em dados do sistema público de saúde indicam que aproximadamente 10% dos casos ocorridos no país chegam ao conhecimento das autoridades policiais.
