Da prisão, Marcola nega elo com Deolane e lavagem para o PCC

Em nota, chefe de facção diz ter recebido investigação com 'surpresa e indignação' e nega relação com transportadora usada como fachada

Por Fhagner Soares, ContilNet 27/05/2026 às 05:59
Advogado Bruno Ferullo Rita afirma que líder de facção está indignado e que seu nome foi vinculado ao caso por causa de familiares/ Foto: Reprodução

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como o principal chefe da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), renegou qualquer tipo de vinculação ou contato com a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra. Segundo o seu corpo de defesa, o detento recebeu com “surpresa e indignação” o relatório da Operação Vérnix, ofensiva deflagrada de forma conjunta pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil paulista para desarticular um braço financeiro do grupo.

Em nota oficial distribuída na manhã desta quarta-feira (27), assinada pelo advogado Bruno Ferullo Rita, a defesa relatou que Marcola foi cientificado a respeito dos meandros do inquérito durante uma sessão de atendimento jurídico nas dependências da Penitenciária Federal de Brasília, presídio de segurança máxima onde cumpre pena desde o ano de 2019.

No comunicado, o líder da organização negou conhecer Deolane Bezerra e Everton de Souza, ambos capturados sob a acusação de operacionalizar a ocultação e a lavagem dos ativos ilícitos da facção criminosa.

“Afirmou que seu único vínculo com o caso se restringe ao parentesco com seus sobrinhos Leonardo e Paloma e com seu irmão Alejandro”, pontua um trecho do manifesto emitido pelo advogado.

A banca de advocacia de Marcola rebatou ainda as conclusões dos investigadores ao frisar que o detento não possui nenhuma gerência ou interesse comercial, seja em caráter direto ou indireto, na empresa de transportes citada como o epicentro dos repasses bancários. A defesa também rechaçou formalmente o uso do codinome “Narigudo”, alcunha atribuída a ele pelos policiais nos relatórios de inteligência.

A Operação Vérnix consolida o resultado prático de um monitoramento policial que se estende por cerca de sete anos. O ponto de partida da apuração ocorreu após a apreensão de bilhetes manuscritos ocultados por detentos no interior de celas da Penitenciária II de Presidente Venceslau, unidade de segurança máxima no interior de São Paulo.

Conforme a decisão proferida pelo Poder Judiciário, as mensagens criptografadas faziam menção expressa às operações da Lopes Lemos Transportes Ltda. A tese sustentada pelo Ministério Público aponta que a transportadora funcionava estruturalmente como uma engrenagem de fachada voltada para a lavagem de capitais e administração do patrimônio imobiliário e logístico da facção.

Perícias realizadas em celulares interceptados indicaram que, mesmo sob o rígido isolamento das penitenciárias federais, membros da família Camacho exerciam influência na destinação dos recursos econômicos.

A lista de alvos do mandado judicial inclui o próprio Marcola, seu irmão Alejandro Camacho, e seus sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. O grupo divide o polo passivo da apuração com Everton de Souza e Deolane Bezerra.

O relatório da Polícia Civil sustenta que os depósitos identificados nas contas bancárias de Deolane ocorreram sob a dinâmica de “acertos financeiros” com o crime organizado, rechaçando a tese inicial de que os valores seriam decorrentes de honorários advocatícios por serviços lícitos. A defesa da influenciadora nega qualquer irregularidade.

Como desfecho das buscas, a Justiça de São Paulo expediu mandados de prisão preventiva, determinou o sequestro de bens móveis e imóveis, confiscou automóveis de luxo e inseriu os nomes dos suspeitos fora do território nacional na difusão vermelha da Interpol. O montante financeiro total bloqueado nas contas dos investigados atinge a cifra de R$ 327 milhões.

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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