A busca por uma casa impecavelmente limpa pode representar um perigo silencioso para cães e gatos. Produtos de limpeza presentes na rotina de muitas famílias, como água sanitária, amônia e desinfetantes à base de compostos fenólicos, podem provocar desde irritações na pele até intoxicações graves e fatais nos pets, principalmente quando usados de forma inadequada. As informações são do Metrópoles.
Segundo especialistas, o risco não está apenas no contato direto com os produtos, mas também em hábitos comuns, como deixar o animal circular em pisos ainda molhados ou misturar diferentes produtos de limpeza durante a faxina.
Entre as substâncias que exigem maior atenção estão os hipocloritos, presentes em águas sanitárias e alvejantes, a amônia, compostos fenólicos encontrados em algumas formulações de creolina, formaldeído, soda cáustica, álcool isopropílico, ácidos e desentupidores que contêm compostos como cloreto de benzalcônio e cloreto de benzetônio.
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A conselheira federal do Conselho Federal de Química (CFQ), Maria Inez Auad Moutinho, explica que nenhum produto de limpeza é completamente livre de riscos, mesmo aqueles vendidos como “pet friendly”, naturais ou biodegradáveis. Segundo ela, a segurança depende da concentração utilizada, da ventilação do ambiente, do tempo de contato e, principalmente, de impedir que o animal tenha acesso às superfícies antes da secagem completa.
Outro erro frequente é misturar produtos na tentativa de potencializar a limpeza. A prática, além de ser desaconselhada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pode provocar reações químicas perigosas. A combinação de hipoclorito com amônia, por exemplo, forma cloraminas, enquanto a mistura com ácidos pode liberar gás cloro, ambos altamente tóxicos.
Os veterinários também orientam os tutores a observar atentamente os rótulos antes da compra. Informações como princípio ativo, necessidade de diluição, tempo de ação, necessidade de enxágue e orientações em caso de contato acidental podem fazer a diferença na prevenção de acidentes.
A intoxicação pode ocorrer por ingestão, inalação dos vapores ou contato com a pele, olhos e mucosas. Um dos cenários mais comuns acontece quando o pet caminha sobre o piso recém-limpo e, ao lamber as patas, acaba ingerindo resíduos do produto.
Entre os principais sintomas estão salivação excessiva, vômitos, tremores, dificuldade para respirar, irritação nos olhos e na pele, além de apatia. Diante de qualquer suspeita de intoxicação, a recomendação é não provocar vômitos nem oferecer leite ou outros alimentos como tratamento caseiro. O animal deve ser levado imediatamente a um médico-veterinário, já que o atendimento rápido aumenta significativamente as chances de recuperação.
