23/09/2026

Shopee é notificada pelo governo por venda de figurinhas não oficiais

Secretaria de Defesa do Consumidor dá prazo de dez dias para explicações

Por Fhagner Soares, ContilNet
Órgão do Distrito Federal aponta que uso de imagens do troféu e de seleções induz o público ao erro/ Foto: Reprodução

A Secretaria Extraordinária de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (SDC/DF) notificou formalmente a plataforma de comércio eletrônico Shopee devido à comercialização de figurinhas não oficiais da Copa do Mundo de 2026 em seu site. A decisão do órgão fiscalizador estipula um prazo regulamentar de dez dias para que a empresa apresente esclarecimentos detalhados sobre a presença e a distribuição desses produtos em seu ecossistema digital. Até a publicação desta reportagem, a Shopee não havia enviado sua manifestação formal diretamente ao governo do Distrito Federal.

A ofensiva da secretaria ocorreu após equipes de fiscalização identificarem que diversos anúncios traziam, de forma explícita nos títulos dos produtos, a informação de que se tratava de figurinhas não oficiais. Apesar do aviso de desconformidade na descrição do item, as ofertas incluíam a reprodução direta de elementos visuais protegidos e associados à Copa do Mundo Fifa 2026, exibindo imagens e referências ao torneio, ao troféu oficial, às federações e seleções nacionais, além de copiar a identidade gráfica do evento.

De acordo com a avaliação técnica da pasta de defesa do consumidor, a prática comercial configura uma irregularidade porque tem potencial para induzir o público consumidor ao erro quanto à real origem e procedência do produto. O órgão argumenta ainda que a venda desses cromos genéricos cria uma falsa expectativa de compatibilidade com as coleções oficiais registradas e compromete a legítima expectativa de autenticidade, qualidade e valor de mercado de coleção dos itens adquiridos. Por causa disso, a secretaria exigiu a suspensão imediata dos anúncios e questionou a empresa sobre quais mecanismos internos de controle são utilizados para impedir a comercialização de produtos falsificados ou piratas na plataforma de marketplace.

Para o secretário extraordinário do Consumidor, Samuel König, a atuação estatal busca impedir que os cidadãos sofram prejuízos financeiros e reforçar o princípio da responsabilidade solidária das plataformas digitais na prevenção de práticas potencialmente abusivas. König ressaltou que o foco é garantir transparência, combater possíveis falsificações e impedir que milhares de pessoas sejam induzidas a comprar algo diferente daquilo que acreditam estar adquirindo. O secretário enfatizou que as plataformas têm a obrigação legal de agir de maneira célere quando são formalmente alertadas sobre situações que colocam a comunidade consumidora em risco.

Em posicionamento enviado ao g1, a assessoria da Shopee afirmou que os anúncios identificados pela fiscalização governamental já foram integralmente removidos do catálogo. A multinacional de tecnologia asseverou que cumpre rigorosamente as leis locais e exige de todos os seus vendedores parceiros a total conformidade com a legislação aplicável no país e com a Política de Produtos Proibidos e Restritos estabelecida pela própria plataforma.

A nota da Shopee acrescenta que a empresa atua de forma ativa para coibir a venda de produtos falsificados e de itens que infrinjam direitos de propriedade intelectual. A companhia citou que adota iniciativas de detecção automática e monitoramento contínuo, além de manter canais abertos de denúncia para usuários. A empresa concluiu dizendo que, sempre que identifica indícios de irregularidades, adota as medidas administrativas cabíveis, reafirmando que permanece à disposição para colaborar com a Secretaria do Consumidor do Distrito Federal e manter um ambiente confiável para compradores e empreendedores.

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