O Acre está entre os estados que serão beneficiados por um novo investimento de R$ 150 milhões do Fundo Amazônia destinado a ampliar o acesso à água potável em comunidades indígenas. O recurso faz parte do edital Sanear Indígena, lançado pelo governo federal, e deve atender mais de 20,8 mil pessoas que vivem em 351 aldeias distribuídas entre Acre, Amazonas e Pará.
A iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios enfrentados pelas populações tradicionais da região: a dificuldade de acesso à água de qualidade, especialmente em territórios mais isolados, onde as longas distâncias e a ausência de infraestrutura básica afetam diretamente a saúde, a alimentação e a qualidade de vida das famílias.
Na prática, os recursos serão utilizados para implantar tecnologias sociais capazes de captar, armazenar e filtrar água destinada ao consumo humano, além de fortalecer atividades produtivas sustentáveis desenvolvidas dentro dos territórios indígenas.
Ao todo, 4.417 famílias indígenas serão beneficiadas pela iniciativa, resultado de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI).
As instituições que forem selecionadas pelo edital ficarão responsáveis por coordenar a implantação das estruturas, que serão executadas por organizações já credenciadas no Programa Cisternas, política pública voltada à promoção do acesso à água em comunidades vulneráveis.
Além de garantir água para o consumo humano, a proposta pretende impulsionar a produção de alimentos, fortalecer a segurança alimentar e gerar novas oportunidades de inclusão social e produtiva, respeitando os modos de vida tradicionais e contribuindo para a preservação da floresta.
Acre já havia sido beneficiado em iniciativa anterior
O Sanear Indígena é o segundo edital lançado dentro do acordo de cooperação firmado entre os órgãos federais. Em 2024, a primeira chamada pública selecionou projetos voltados ao uso sustentável em reservas extrativistas, florestas nacionais, comunidades quilombolas e assentamentos agroextrativistas.
Na ocasião, 4.626 famílias foram beneficiadas em cinco estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Amapá, Pará e Rondônia.
A nova etapa reforça a estratégia do Fundo Amazônia de associar a proteção ambiental à melhoria da qualidade de vida de povos e comunidades tradicionais, ampliando investimentos em ações como restauração florestal, bioeconomia, regularização territorial e combate aos incêndios.
Criado em 2008, o Fundo Amazônia é considerado a maior iniciativa do mundo baseada em resultados para redução do desmatamento e da degradação florestal.
Desde a sua criação, o mecanismo já destinou R$ 5,3 bilhões para 153 projetos, beneficiando mais de 650 organizações, 169 terras indígenas, 192 unidades de conservação e cerca de 260 mil pessoas.
Somente em 2025, o fundo atingiu o maior volume anual de investimentos da sua história, com aproximadamente R$ 2 bilhões em projetos aprovados.
Além de apoiar iniciativas voltadas às comunidades tradicionais, os recursos também são destinados ao fortalecimento da fiscalização ambiental, à prevenção e combate aos incêndios florestais, à regularização territorial e ao desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis na Amazônia.



