Cabeça-branca do MDB diz que convite a Jorge partiu de apenas um membro
O secretário estadual do MDB no Acre, Aldemir Lopes, negou que a direção do partido ou integrantes da chamada velha guarda da legenda tenham organizado um encontro com o candidato ao Senado Jorge Viana (PT), que estava previsto para ocorrer na manhã desta quarta-feira (16), na sede da sigla, em Rio Branco.
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Em conversa com o ContilNet, Aldemir apresentou uma versão diferente sobre a articulação do encontro. Segundo ele, a visita teria sido acertada entre Jorge e apenas um integrante do MDB, sem conhecimento ou autorização da direção estadual.
“Não existiu nada de cabeça-branca, de MDB, de convidar o Jorge Viana para vir aqui. Isso não existiu”, afirmou.
Na noite desta terça-feira (15), o ContilNet havia publicado que figuras históricas do MDB deveriam se reunir com Jorge para anunciar apoio à candidatura do petista ao Senado. Entre os nomes apontados como possíveis participantes estavam o próprio Aldemir e o presidente estadual da legenda, Vagner Sales.
O encontro acabou não acontecendo. Na manhã desta quarta, o ContilNet esteve na sede do partido e constatou um clima de tensão entre integrantes da legenda. Uma fonte ligada ao MDB afirmou à reportagem que a repercussão da possível aproximação com Jorge provocou reação do grupo governista.
“Ninguém sabia disso”, diz Aldemir
Aldemir, porém, afirma que nem ele nem integrantes da direção estadual tinham conhecimento prévio da articulação.
Segundo o secretário, Jorge teria entrado em contato diretamente com um membro da legenda e manifestado interesse em fazer uma visita à sede. Esse integrante, cujo nome Aldemir preferiu não revelar, teria aceitado receber o candidato sem consultar os demais dirigentes.
“A informação que a gente tem é que o Jorge ligou para essa pessoa, uma pessoa daqui do partido, pedindo para fazer uma visita no partido. E a pessoa aceitou, achou que não teria nenhum problema e ficou certo de ele vir aqui”, relatou.
Aldemir afirmou que a situação ganhou uma dimensão diferente daquela que, segundo ele, havia sido inicialmente combinada.
“Só que nem o Vagner, nem o Aldemir, nem o Adalberto, ninguém sabia disso, não estavam sabendo disso. E, de repente, virou uma coisa institucional, como se os cabeças-brancas tivessem convidado, ou tivessem aceitado, ou quisessem fazer uma reunião com o Jorge Viana. Isso não aconteceu. A instituição não se envolveu nisso, muito menos os cabeças-brancas”, declarou.
MDB cita aliança com Mailza
Ao explicar por que considera problemática uma visita de Jorge à sede neste momento, Aldemir lembrou que o MDB já definiu sua posição na eleição estadual.
O partido integra a coligação da candidata ao Governo Mailza Assis (PP) e indicou Jéssica Sales (MDB), filha de Vagner Sales, para a vaga de vice.
Para Aldemir, o período de conversas institucionais com diferentes forças políticas ocorreu antes da definição das alianças eleitorais.
“Nós temos uma aliança e o momento de discutir, de conversar com outros partidos, com outras forças políticas, já passou. A gente conversava antes com todo mundo, quando estava no período de busca de alianças”, afirmou.
Segundo ele, justamente por causa da aliança já estabelecida, a possibilidade de o encontro ser interpretado como uma movimentação oficial do MDB causou incômodo dentro da legenda.
“Isso, de certa forma, pegou mal”, acrescentou.
Sem nota oficial
Questionado pelo ContilNet sobre a possibilidade de o MDB divulgar uma nota para esclarecer o episódio, Aldemir afirmou que, até aquele momento, não havia intenção de emitir um posicionamento formal.
Ele voltou a insistir que o ponto central da versão da direção é que não houve convite institucional a Jorge Viana.
“Não houve nenhum convite institucional, e nem dos cabeças-brancas, para o Jorge Viana vir ao partido. Foi uma pessoa só que conversou com ele. Ele teria dito que ia lá, mas não existiu nada institucional, sobretudo dos cabeças-brancas”, concluiu.
A versão apresentada por Aldemir diverge das informações obtidas anteriormente pelo ContilNet junto a fontes próximas a Jorge Viana e integrantes do próprio MDB, que apontavam uma reunião com figuras históricas da legenda. O encontro, entretanto, não chegou a acontecer.