09/09/2026

Caso Davi: avô diz que tentou criar menino que teria sido morto pelo padrasto

Ele relatou ainda que mãe já apareceu com marcas pelo corpo

Por Matheus Mello, ContilNet
João concedeu entrevista a TV Acre/Foto: Reprodução

João Evangelista, avô de Davi Lucas Santos Maia, de 3 anos, afirmou em entrevista à TV Acre, afiliada da Rede Globo, que a família tentou assumir os cuidados da criança e demonstrou preocupação com a situação vivida pela mãe do menino. Davi morreu após sofrer graves lesões em uma comunidade rural na divisa entre Porto Acre e Boca do Acre.

Segundo o avô, Davi chegou a viver por um período com a família, que, conforme seu relato, mantinha uma relação de afeto com a criança e buscava oferecer melhores condições para criá-la.

“Ele viveu um pouco tempo com nós lá, nós tínhamos muito amor, nós carregávamos no coração. A gente fazia de tudo, dava o melhor para ele”, afirmou João Evangelista.

Ainda de acordo com o avô, a família teria tentado ficar definitivamente com Davi por entender que a mãe, Ana Clara dos Santos, de 18 anos, não teria condições de criar o filho. Ele disse que chegou a oferecer apoio para que ela pudesse permanecer com a criança.

ENTENDACriança teria sido torturada pelo padrasto antes de morrer; mãe também é detida

“Nós lutamos pra pegar esse menino, lutamos pra pegar esse menino. Dá esse menino pra nós. Você não tem condição de criar esse filho, você não tem um meio de vida para você sobreviver. Eu tenho um meio de vida para você sobreviver. Eu dou do bom e do melhor pra ele”, relatou.

João também afirmou que, em uma ocasião, Ana Clara teria aparecido com marcas pelo corpo. Segundo ele, a jovem teria dito que as lesões eram resultado de uma queda.

“Ela chegava muitas vezes. Ela foi uma vez, me lembro se fosse hoje, ela chegou, tá cheio de marca assim no corpo dela. Aí a gente perguntava para ela assim: ‘O que que é isso aí?’. ‘É nada não, mãe. Eu caí no chão’”, contou.

O relato do avô ocorre enquanto a Polícia Civil do Acre investiga as circunstâncias da morte de Davi. O padrasto da criança, Tacio Gomes dos Santos, de 23 anos, é apontado como principal suspeito e foi preso. A mãe também foi detida sob suspeita de negligência.

Investigação

Segundo o delegado Carlos Bayma, responsável pelo caso em Porto Acre, a principal linha de investigação considera a possibilidade de homicídio qualificado por agressões e eventual tortura. O corpo da criança apresentava diversas lesões, segundo a polícia.

A investigação ainda depende dos laudos periciais para confirmar a causa da morte e esclarecer a dinâmica das agressões. O delegado informou que são aguardados os exames do local do crime e do corpo da vítima.

“Para a gente ter ainda absoluta certeza, estamos precisando de dois laudos: um de local de crime e um do corpo da vítima”, explicou Bayma.

A polícia também investiga a conduta dos adultos que estavam com Davi. Conforme o delegado, a suspeita em relação à mãe é de que ela tenha sido negligente diante das possíveis agressões sofridas pelo filho.

Tacio Gomes nega as acusações e, segundo o delegado, não apresentou durante o interrogatório uma explicação para os fatos investigados.

A suspeita é de que Davi tenha sido agredido na residência da família. Ao perceberem a gravidade do estado de saúde da criança, os adultos teriam tentado levá-la de barco até Porto Acre em busca de atendimento médico. O trajeto dura aproximadamente 20 minutos, mas o menino morreu durante o deslocamento e chegou ao município já sem vida.

Como o flagrante ocorreu durante a noite, o caso foi encaminhado inicialmente à Delegacia de Flagrantes (Defla), em Rio Branco. O procedimento deve retornar à Delegacia de Porto Acre para a continuidade das investigações e conclusão do inquérito.

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