A crise econĂŽmica na BolĂvia tem provocado impactos cada vez mais graves na saĂșde pĂșblica do paĂs. Na Ășltima quinta-feira (28), mĂ©dicos realizaram um protesto pelas ruas do centro de La Paz para denunciar a falta de medicamentos, oxigĂȘnio e atĂ© alimentos nos hospitais bolivianos.
Vestidos com jalecos brancos, os profissionais caminharam acompanhados por ambulùncias com sirenes ligadas enquanto pediam a liberação das estradas bloqueadas por manifestantes. Durante o ato, os médicos carregavam cartazes e gritavam frases cobrando ajuda para os pacientes.
Os bloqueios acontecem desde o inĂcio de maio e jĂĄ atingem mais de 60 pontos em diferentes regiĂ”es do paĂs, segundo informaçÔes da Administradora Boliviana de Rodovias. Os protestos sĂŁo liderados por grupos de trabalhadores, caminhoneiros, professores, mineradores e camponeses que reclamam da situação econĂŽmica da BolĂvia.
AlĂ©m das crĂticas Ă inflação e Ă falta de produtos bĂĄsicos, parte dos manifestantes tambĂ©m pede a saĂda do presidente Rodrigo Paz, que estĂĄ hĂĄ cerca de seis meses no cargo.
Nos hospitais, mĂ©dicos relatam que a situação estĂĄ ficando cada vez mais difĂcil. A mĂ©dica MĂłnica Reyes afirmou que os estoques estĂŁo perto do fim e que os pacientes estĂŁo sofrendo ainda mais por causa da crise.

Profissionais de saĂșde bolivianos cobram entrada de oxigĂȘnio, medicamentos e alimentos em La Paz em meio a crise de desabastecimento | Foto: Javier Mamani
âNĂŁo temos materiais suficientes nem para os prĂłximos dias. A comida nos hospitais estĂĄ sendo controlada e muitos produtos jĂĄ acabaram. Os pacientes jĂĄ enfrentam a dor da doença e agora tambĂ©m sofrem com a crise do paĂsâ, declarou.
A CĂąmara da IndĂșstria FarmacĂȘutica Boliviana informou que cerca de 50 toneladas de medicamentos e cilindros de oxigĂȘnio nĂŁo conseguem chegar aos hospitais por causa das estradas fechadas.
O MinistĂ©rio da SaĂșde boliviano chegou a fazer um apelo pĂșblico pedindo que os manifestantes permitam a passagem de caminhĂ”es com oxigĂȘnio e suprimentos mĂ©dicos para evitar uma situação ainda mais grave nas unidades de saĂșde. De acordo com a Defensoria do Povo, pelo menos quatro pessoas morreram porque nĂŁo conseguiram receber atendimento mĂ©dico a tempo devido aos bloqueios nas rodovias.
O governo acusa grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales de incentivar os protestos e tentar desestabilizar a ordem democrĂĄtica. Evo, que governou a BolĂvia entre 2006 e 2019, estĂĄ foragido em meio a uma investigação por suposto trĂĄfico de uma menor. Em meio Ă crise, o Congresso boliviano aprovou a retirada de uma regra que limitava a decretação de estado de exceção pelo presidente. Com isso, o governo passa a ter mais facilidade para usar medidas mais rĂgidas para conter os protestos e liberar as estradas.


