El Niño no Acre: Saiba quais cuidados com a saúde devem ser adotados

Governo federal anuncia plano de R$ 9,8 bilhões para fortalecer o SUS durante o fenômeno

Por Wellington Vidal, ContilNet 05/07/2026 às 16:04
om calor extremo e fumaça, El Niño exige cuidados redobrados com a saúde no Acre. Foto: Juan VIcent Diaz

O avanço do El Niño e a previsão de um período de estiagem mais intenso colocam o Acre em estado de atenção. Além dos impactos ambientais, o fenômeno pode provocar um aumento significativo nos problemas de saúde, principalmente entre pessoas com doenças respiratórias, crianças e idosos.

Com o objetivo de preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, o Ministério da Saúde anunciou um plano nacional de R$ 9,8 bilhões, com ações previstas até 2035 para ampliar a prevenção, o monitoramento e a resposta a eventos climáticos extremos.

População deve procurar as Uraps em busca de tratamento para sindromes respiratórias, em caso de emergência podem buscar as UPAS e o Pronto Socorro.

População deve procurar as Uraps em busca de tratamento para sindromes respiratórias, em caso de emergência podem buscar as UPAS e o Pronto Socorro. / Foto: Ascom

Entre as medidas estão o fortalecimento da vigilância epidemiológica, a criação de Centros Integrados de Saúde e Clima, a ampliação da capacidade de resposta da Força Nacional do SUS e a implantação do Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que permitirá emitir alertas de altas temperaturas com até cinco dias de antecedência.

Para entender os reflexos do fenômeno na saúde da população acreana, o ContilNet conversou com a médica pneumologista Célia Rocha, que explica que pessoas com doenças respiratórias tendem a sofrer mais durante períodos de mudanças climáticas.

“Quem tem problema respiratório, qualquer variação climática, para mais ou para menos, complica. Com o El Niño, a temperatura vai subir”, afirma.

Segundo a especialista, o período de estiagem também favorece a circulação de vírus respiratórios e aumenta a exposição a fatores que desencadeiam crises alérgicas e pulmonares.

“Na época do calor intenso, estamos em uma região de muito calor, e quem tem problema respiratório começa a ter crises pelo fator irritante, pelo calor, pela proliferação de gases tóxicos, pela questão da umidade, pela mudança brusca de temperatura, pela poluição ambiental.”

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Além do calor excessivo, a fumaça das queimadas e a baixa umidade do ar tendem a agravar quadros de asma, bronquite, rinite e outras doenças respiratórias. A orientação é manter a hidratação, evitar exposição ao sol nos horários de maior calor e reduzir atividades ao ar livre quando houver grande concentração de fumaça.

Impactos também devem afetar abastecimento e serviços públicos

Os reflexos do El Niño não devem se limitar à saúde. A combinação de altas temperaturas, estiagem prolongada e aumento das queimadas poderá trazer consequências para diversos setores em Rio Branco.

Entre os principais impactos previstos pela Defesa Civil estão a redução do nível dos mananciais, o que pode comprometer o abastecimento de água tanto na área urbana quanto na zona rural. Também há expectativa de aumento no preço de produtos agrícolas e insumos, em razão das dificuldades enfrentadas pela produção durante o período seco.

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Defesa Cívil realiza monitoramento sobre seca do Rio Acre — Foto: Juan Diaz, ContilNet

Outro efeito esperado é a maior demanda por serviços essenciais. O consumo de energia elétrica deve crescer devido ao uso intensificado de aparelhos de refrigeração, enquanto o gasto com água também tende a aumentar em razão das altas temperaturas.

Prefeitura prepara ações para reduzir impactos

De acordo com o coordenador municipal da Defesa Civil, coronel Cláudio Falcão, a Prefeitura de Rio Branco já planeja uma série de ações integradas para enfrentar o período mais crítico da estiagem em 2026.

“As ações que nós vamos desenvolver são na área da saúde, na área do meio ambiente, na área de defesa civil, que é o socorro de resposta, e também na área da agricultura através da Secretaria Municipal, que vai diminuir esses impactos. Agora os impactos virão. Nós temos que buscar os meios de diminuir esses impactos. Os prejuízos, da própria saúde da população, com muito calor, com muita queimada, fumaça, poeira”, explicou.

Falcão enfatiza que o objetivo é minimizar os prejuízos provocados pelo calor extremo, pela fumaça das queimadas e pela poeira, fatores que costumam afetar diretamente a qualidade de vida da população durante a estiagem.

Com a aproximação do período mais seco do ano, autoridades reforçam a importância de medidas preventivas, como manter a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol, acompanhar os alertas emitidos pelos órgãos oficiais e procurar atendimento médico ao surgimento de sintomas respiratórios persistentes ou sinais de desidratação.

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