Capacidade para 20 mil sacas e padrão de exportação
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De acordo com Eduardo Tosta, representante da ABDI, o complexo industrial tem capacidade para beneficiar até 20 mil sacas de café por ano, operando com tecnologias de ponta. “Temos o que há de melhor em equipamentos para garantir café de altíssima qualidade. Desde o recebimento até a secagem lenta de 36 horas, passando por processos de rebeneficiamento e seleção dos grãos, o produto final tem padrão internacional e está pronto para exportação”, explicou.
Cooperativismo e geração de renda
Um dos idealizadores do projeto, Jonas Lima, destacou o impacto social do cooperativismo para a região. “Antes, a economia girava em torno de auxílios e pescaria. Hoje, temos uma nova realidade com mais de 172 cooperados apenas no setor do café, sendo que 70% deles são de Mâncio Lima”, relatou. Segundo ele, nas últimas semanas da colheita, mais de 700 pessoas foram empregadas diretamente. “Colocando uma diária média de R$ 100, temos uma injeção de R$ 70 mil por dia na economia local, muitos ganham até R$ 300 por dia”, disse.
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O crescimento é tão expressivo que já está prevista a construção de uma nova unidade anexa no Ramal 2, que atenderá os produtores daquela região. Em paralelo, a prefeitura de Cruzeiro do Sul lançou um programa anual que distribuirá mudas de café a 100 agricultores familiares, com assistência técnica durante os dois primeiros anos de plantio.
A voz da juventude: o café como instrumento de transformação
Danilo, jovem produtor rural e cooperado da Coppe Café, celebrou o novo momento vivido no Juruá. “Esse complexo vai mudar a vida das pessoas. O café agrega valor, traz renda, qualidade de vida e segurança para continuar produzindo. Eu comecei sem imaginar que Mâncio Lima se tornaria um polo industrial. Hoje vendemos café a R$ 1.200 a saca, e isso atrai mais gente para o campo, tira as pessoas da marginalidade e valoriza toda a cadeia produtiva”, afirmou.
Além de beneficiar diretamente os produtores de café, o impacto também é sentido em outros setores. “Quem ficou na farinha também viu o preço subir. É um ciclo positivo que movimenta toda a economia local, da horta à pecuária”, acrescentou.
Um novo tempo para o Vale do Juruá
A inauguração do Complexo Industrial do Café representa uma conquista econômica. É símbolo de resiliência, organização coletiva e de um futuro mais promissor para o interior do Acre. Com apoio político, técnico e institucional, o café do Juruá começa a trilhar um caminho sólido rumo à consolidação como produto de exportação e alavanca de desenvolvimento social.
“É só o começo”, concluiu Jonas Lima. “Em 2024 colhemos de 700 hectares, em 2025 serão 1.300 hectares e, em 2026, 1.600. Isso aqui muda a vida das pessoas.”