O Acre entrou, nesta segunda-feira (24), na rota de alguns dos principais grupos regionais do varejo brasileiro. Empresários e executivos ligados à Rede Brasil desembarcaram em Rio Branco para uma agenda de reuniões estratégicas, troca de experiências e visitas técnicas às operações do Grupo AraSuper.
O encontro reúne representantes de redes supermercadistas de diferentes regiões do país e coloca a empresa acreana como anfitriã de uma discussão que envolve gestão, logística, eficiência operacional, compras compartilhadas e estratégias para aumentar a competitividade no setor.
O AraSuper chega ao encontro em um momento de projeção nacional. Com uma trajetória iniciada em 1981, a empresa alcançou, em 2026, a 66ª posição no Ranking ABRAS, da Associação Brasileira de Supermercados, que relaciona as maiores empresas do varejo alimentar do país.
A história começou com uma pequena mercearia na Avenida Nações Unidas, em Rio Branco. Nas décadas seguintes, o negócio se expandiu e se consolidou no mercado acreano. Atualmente, o grupo é comandado pelos irmãos e sócios Adem e Aldenor Araújo.
AraSuper é apontado como referência
Diretor-executivo da Rede Brasil, Murilo Couto afirmou que a escolha do Acre não ocorreu por acaso. Segundo ele, o AraSuper tornou-se uma das referências dentro do modelo de cooperação adotado pelos associados.
“O AraSuper é, para nós, uma das referências dentro do modelo de trabalho colaborativo da Rede Brasil. Todas as boas práticas são, de certa forma, compartilhadas entre os associados”, afirmou.
De acordo com Couto, a Rede Brasil reúne atualmente 18 empresas, está presente em 18 estados e representa mais de 580 lojas. Consideradas conjuntamente, as empresas associadas formariam, segundo o executivo, o quarto maior grupo varejista brasileiro em faturamento.
Durante a passagem por Rio Branco, um dos aspectos que mais chamaram a atenção do diretor-executivo foi a capacidade logística da empresa acreana.
“O AraSuper consegue, por meio de sua capacidade logística, trazer mercadorias e produtos diferenciados para o estado, proporcionando essas oportunidades ao consumidor acreano”, destacou.
Para Couto, a experiência ganha relevância principalmente pelas dificuldades impostas pela distância dos grandes centros fornecedores do país. A capacidade de levar ao Acre produtos e oportunidades normalmente concentrados nas regiões Sul e Sudeste é uma das práticas que podem ser compartilhadas entre os integrantes da Rede Brasil.
Comidas prontas despertam interesse de rede pernambucana
Outro aspecto da operação acreana chamou a atenção do presidente do Conselho da Rede Brasil, Djalma Cintra Júnior: o setor de comidas prontas do AraSuper.
Cintra, que também integra o Bonanza, de Pernambuco, disse que pretende levar a experiência observada no Acre para sua própria rede.
“O que mais chamou a atenção foi a forma como o AraSuper trabalha a questão das comidas prontas. Isso, na minha percepção, é um grande atrativo de fluxo para as lojas e é algo sobre o qual eu quero aprender um pouco mais para levar para a nossa rede”, afirmou.
O executivo também destacou o atendimento encontrado nas unidades. Segundo ele, algumas visitas foram realizadas sem a presença dos proprietários do AraSuper, o que permitiu observar de forma mais espontânea o funcionamento das equipes.
“A forma como fomos tratados pela equipe do AraSuper foi extraordinária. Acho que o cuidado que existe da direção com os colaboradores, e dos colaboradores com os clientes, é algo muito forte no AraSuper e que contribui para o sucesso da empresa”, avaliou.
Cintra afirmou ainda acreditar que a rede acreana possui espaço para continuar crescendo e fortalecendo sua marca.
Parcerias podem resultar em preços mais competitivos
Para Adem Araújo, receber no Acre empresários responsáveis por grandes operações regionais representa uma oportunidade de ampliar parcerias e transformar a cooperação entre as empresas em benefícios para os consumidores.
“Já temos alguns negócios em conjunto e, agora, vamos intensificar ainda mais essas parcerias, para que possamos trazer muitas novidades e preços ainda mais competitivos”, afirmou.
Um dos instrumentos utilizados pelos associados são as compras compartilhadas. Ao negociar determinados produtos em conjunto, as empresas ampliam seu poder de negociação com fornecedores e podem obter condições comerciais mais favoráveis.
“Hoje temos produtos que compramos de forma compartilhada, o que nos proporciona uma condição de preço muito melhor”, explicou Adem.
Segundo o empresário, a troca também permite identificar soluções desenvolvidas por outras redes e adaptá-las à realidade local.
“Estamos sempre buscando melhorias na operação e mais eficiência logística, para transformar isso em benefícios para o consumidor”, acrescentou.
Troca de experiências
As visitas entre os associados fazem parte da estratégia da Rede Brasil. Periodicamente, uma região é escolhida para sediar os encontros, permitindo que empresários conheçam de perto diferentes modelos de operação.
No Acre, os visitantes tiveram acesso aos bastidores do AraSuper, incluindo logística, funcionamento das unidades, gestão e experiências comerciais desenvolvidas pelo grupo.
Para Adem Araújo, sediar o encontro também representa reconhecimento ao trabalho realizado pela empresa e por seus colaboradores.
“Não apenas eu, mas também meu irmão e sócio, Aldenor, e toda a nossa equipe ficamos muito felizes por poder sediar uma reunião como esta, com grandes empresários”, disse.
O empresário destacou ainda a dimensão econômica das empresas reunidas no estado.
“Se juntássemos todas as redes que estão aqui hoje, seríamos uma das maiores redes do país em faturamento. Então, é muito importante para nós poder ter essa integração e essa troca de experiências com esses parceiros”, afirmou.
Mais do que uma visita institucional, o encontro transforma o Acre, ainda que temporariamente, em ponto de convergência de experiências do varejo regional brasileiro. Para o AraSuper, também evidencia a evolução de um empreendimento que nasceu como uma pequena mercearia em Rio Branco e, 45 anos depois, passou a compartilhar seu modelo de operação com empresários de algumas das principais redes supermercadistas do país.






