Há campanhas que começam andando. Outras, de repente, pegam vento.
É a impressão que passa a campanha da governadora Mailza Assis depois que a médica e ex-deputada federal Jéssica Sales entrou oficialmente na chapa como candidata a vice-governadora. E não é preciso ser um especialista em pesquisas eleitorais para perceber que alguma coisa mudou no ambiente político.
Jéssica não chegou apenas para preencher uma vaga de vice. Chegou trazendo nome, história, votos, relações políticas e, sobretudo, uma forte conexão com o Vale do Juruá. Filha de Vagner Sales e da deputada Antônia Sales, ela carrega consigo uma marca política construída durante anos e uma trajetória própria, inclusive com dois mandatos na Câmara dos Deputados.
E há um detalhe que não pode ser ignorado: a união de Mailza e Jéssica produziu a primeira chapa formada exclusivamente por mulheres na disputa pelo Governo do Acre. Isso, por si só, já dá à campanha uma narrativa diferente das demais.
Mas política não se faz apenas de simbolismo.
Jéssica acrescenta território à campanha de Mailza. Acrescenta pontes. Acrescenta interlocução. E, principalmente, ajuda a aproximar a candidata do Palácio Rio Branco de um eleitorado que não se conquista apenas com discurso produzido em gabinete.
É aí que a famosa pepeta começa a pegar vento.
Antes da chegada de Jéssica, Mailza, apesar da enorme máquina governamental que tem a seu favor, precisava mostrar que tinha musculatura própria para disputar uma eleição majoritária. Agora, a chapa ganhou uma segunda personalidade eleitoral capaz de circular por regiões, conversar com diferentes grupos e abrir portas que talvez permanecessem fechadas para uma candidatura isolada.
E há outro aspecto interessante: a escolha de Jéssica acabou transformando uma possível fragilidade em uma oportunidade.
O MDB, que poderia estar em outro palanque, permaneceu na base governista, e Jéssica tornou-se uma peça importante dessa composição. A aliança entre Progressistas e MDB, e outras siglas importantes como o PL e o União Brasil, deu à campanha uma dimensão política maior e ampliou o arco de sustentação da candidatura.
É claro que eleição é eleição. Ninguém ganha uma disputa para o Governo em agosto. E a pesquisa Quaest divulgada semana há poucos dias mostra Alan Rick na liderança, com 33%, Mailza em segundo, com 24%, e Bocalom com 15%. Ou seja: há muita estrada pela frente.
Mas uma coisa é inegável: a campanha de Mailza ganhou corpo.
E talvez seja justamente esse o efeito mais importante da entrada de Jéssica Sales.
Uma candidatura que precisava convencer que poderia crescer passou a transmitir a sensação de que encontrou uma maneira concreta de crescer.
Na política, vento não se fabrica.
Quando ele aparece, é preciso saber aproveitar.
E a pepeta de Mailza, pelo jeito, encontrou uma boa corrente de ar.
Agora resta saber até onde ela consegue voar.
