23/09/2026

Professor desabafa sobre realidade da educação no Acre: “Contradições”

Desabafo foi motivado por uma reunião realizada na unidade onde trabalha, convocada pela Secretaria de Educação para discutir protocolos de segurança

Por Juan Vinícius, ContilNetAtualizado
Professor Matheus Miller fez um desabafo sobre a realidade enfrentada por profissionais da educação/Foto: Reprodução

Em vídeo publicado nas redes sociais, o professor Matheus Miller fez um desabafo sobre a realidade enfrentada por profissionais da educação na rede estadual do Acre após a tragédia registrada no Instituto São José, onde duas servidoras foram mortas por um adolescente armado.

No pronunciamento, divulgado nesta segunda-feira (11), o docente afirmou que decidiu se manifestar para expor o que classificou como “contradições insustentáveis” envolvendo a atuação e a omissão de órgãos públicos diante da violência nas escolas.

Segundo ele, a fala foi motivada por uma reunião realizada na unidade onde trabalha, convocada pela Secretaria de Educação para discutir protocolos de segurança, controle de acesso, fluxos de entrada e saída nas escolas e acolhimento emocional das equipes escolares após o atentado.

Durante o vídeo, o professor questionou o fato de leis já aprovadas ainda não terem sido totalmente implementadas no estado. Uma delas é a Lei nº 4.119, aprovada em 2023 pela Assembleia Legislativa do Estado do Acre, que prevê a instalação de detectores de metais em escolas públicas e privadas.

Matheus destacou que a legislação estabelecia prazo de até 180 dias para implementação das medidas e afirmou que, passados mais de dois anos, a maioria das escolas ainda não possui os equipamentos.

“Uma das determinações prevê a utilização de detectores de metais nas unidades que já possuem o equipamento ou que tenham realizado a aquisição com recursos destinados às ações escolares. Me pergunto: onde estão esses detectores de metais, que já deveriam estar disponíveis nas escolas há muito tempo, principalmente porque existe uma lei relacionada ao tema e porque o retorno das aulas está previsto para o dia 13 de maio de 2026, nesta quarta-feira?”, declara o professor.

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O professor também cobrou esclarecimentos do poder público sobre a aplicação da Lei Federal nº 13.935/2019, que determina a oferta de serviços de psicologia e assistência social nas redes públicas de educação básica.

Segundo ele, a comunidade escolar precisa de respostas sobre a situação das escolas acreanas em relação à presença de equipes multiprofissionais e às medidas de prevenção à violência escolar.

“Enquanto professores, temos que planejar nossas aulas, ministrá-las, corrigir provas, ficar à disposição dos pais, responsáveis e da escola, além de realizar atividades muitas vezes fora do expediente oficial, durante noites e madrugadas. Mas essa medida determinada pela Secretaria de Educação, entre outras, não configuraria, de certo modo, um desvio de função? Nós, que fazemos parte da comunidade escolar e também somos vítimas de possíveis omissões de diversos agentes e instituições públicas, seremos os responsáveis por executar esse conjunto de medidas?”, informa.

Ao longo do desabafo, o docente afirmou que o pronunciamento foi feito com base no direito à liberdade de expressão e reforçou que as declarações são de inteira responsabilidade dele.

Conteúdo Original / Fonte: Juan Vinícius, ContilNet

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