A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Núcleo de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA), publicou na quarta-feira, (22), um boletim informativo alertando para o aumento do risco de intoxicações por agrotóxicos no estado, especialmente durante os períodos de maior atividade agrícola. O documento reúne dados registrados entre 2020 e a Semana Epidemiológica nº 23 de 2026, encerrada em 13 de junho, e reforça a necessidade de ampliar a vigilância, o diagnóstico precoce e a notificação dos casos suspeitos.
Segundo a Sesacre, a expansão das atividades agropecuárias no Acre, aliada ao uso crescente de agrotóxicos em diferentes sistemas de produção, amplia o potencial de exposição da população. Trabalhadores rurais, agricultores familiares, comunidades tradicionais, povos indígenas, ribeirinhos e moradores de áreas próximas às lavouras estão entre os grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos desses produtos.
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A Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos integra a Vigilância em Saúde Ambiental do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem como objetivo identificar, monitorar, prevenir e reduzir os riscos e agravos provocados pela exposição humana aos agrotóxicos.
O boletim destaca que, embora o uso desses produtos seja regulamentado pela legislação brasileira, a exposição pode causar intoxicações agudas e crônicas, além de outros problemas de saúde que, muitas vezes, apresentam sintomas inespecíficos, dificultando o diagnóstico. Esse cenário favorece a subnotificação dos casos e impede que a dimensão real do problema seja conhecida.
Entre os objetivos do documento está sensibilizar gestores e profissionais da saúde sobre a importância do reconhecimento precoce das intoxicações, da investigação oportuna e da notificação imediata no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), conforme estabelece a Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026.
Os dados apresentados pela VSPEA mostram que Rio Branco, Acrelândia, Brasiléia, Xapuri e Senador Guiomard concentram o maior número de notificações de intoxicação exógena por agrotóxicos registradas entre 2020 e a Semana Epidemiológica nº 23 de 2026. No entanto, a Sesacre ressalta que o volume de agrotóxicos utilizados no estado, conforme dados do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), indica a possibilidade de subnotificação, reforçando a necessidade de que os serviços de saúde mantenham elevado grau de suspeição clínica diante de pacientes com sintomas compatíveis.

Rio Branco, Acrelândia, Brasiléia, Xapuri e Senador Guiomard concentram o maior número de notificações de intoxicação | Fonte: DIVSIV/SINANNET
O alerta ganha ainda mais importância durante os meses de seca, quando ocorre intensificação das atividades agrícolas, como preparo do solo, plantio, tratos culturais e pulverização. Nessa época, aumenta o risco de exposição tanto para trabalhadores quanto para moradores de comunidades próximas às áreas de cultivo.
Entre os principais sintomas de intoxicação estão dor de cabeça, tontura, náuseas, vômitos, irritação nos olhos e na pele, dificuldade para respirar, salivação excessiva e, nos casos mais graves, convulsões. A exposição pode ocorrer por inalação, contato direto com a pele, ingestão de alimentos ou água contaminados e também pela deriva da pulverização, quando partículas do produto são transportadas pelo vento para áreas vizinhas.
Como forma de prevenção, a VSPEA recomenda que a população evite permanecer próxima de áreas onde estejam sendo realizadas pulverizações, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias. Também orienta manter portas e janelas fechadas quando houver aplicação de agrotóxicos em propriedades vizinhas, proteger reservatórios de água e alimentos, lavar frutas, verduras e legumes em água corrente antes do consumo e respeitar o período de reentrada em áreas recém-pulverizadas.
A Sesacre ainda orienta que embalagens vazias de agrotóxicos nunca sejam reutilizadas e recomenda que qualquer pulverização realizada em desacordo com a legislação, especialmente nas proximidades de escolas, residências, unidades de saúde ou cursos d’água, seja comunicada aos órgãos competentes.
Em casos de suspeita de intoxicação, a orientação é afastar imediatamente a pessoa da fonte de exposição, retirar roupas contaminadas, lavar a pele com água corrente e sabão, não provocar vômito sem orientação profissional e procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. De acordo com a Secretaria de Saúde, a identificação precoce e a notificação dos casos são fundamentais para fortalecer a vigilância epidemiológica, orientar ações de prevenção e reduzir os impactos dos agrotóxicos sobre a saúde da população acreana.
