Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) no Boletim Epidemiológico de Síndromes Respiratórias apontam que até a Semana Epidemiológica 28 foram registradas 52 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Acre.
Embora o número geral de mortes tenha apresentado queda em relação aos anos anteriores, o número aumentou desde o último boletim divulgado, em 21 de julho, que registrou 50 mortes até a SE 27.
Os dados mostram que a distribuição por faixa etária em 2026 traz uma alteração no perfil de vulnerabilidade. A faixa de crianças menores de 2 anos registrou um aumento expressivo nas mortes, passando de 6 (em 2024) e 7 (em 2025) para 13 mortes neste ano.
O monitoramento hospitalar indica que o total acumulado de casos de SRAG em 2026 atingiu 1.999 notificações até a semana 28, superando os registros de 2024 (1.732) e de 2025 (1.481) no mesmo intervalo.
O pico de internações no ano atual ocorreu na semana epidemiológica 22, impulsionado pelo aumento de quadros de bronquiolite e pneumonia em crianças. As crianças de 0 a 9 anos e os idosos acima de 60 anos são as faixas etárias mais suscetíveis, mais afetadas e com maiores taxas de internação.
Entre os patógenos identificados nas coletas laboratoriais de pacientes hospitalizados com SRAG em 2026, destacam-se o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) — principal motor das internações de bebês e crianças —, o Rinovírus e o Influenza A.
Alerta da Fiocruz
Mesmo com a redução dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em grande parte do Brasil, o Acre continua na lista dos estados onde a doença apresenta crescimento, segundo o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (23).
O levantamento, que reúne dados da Semana Epidemiológica 28, entre 12 e 18 de julho, mostra que o Acre está entre as unidades da federação classificadas em nível de risco ou alto risco, com tendência de aumento dos casos nas últimas seis semanas.
De acordo com a Fiocruz, Rio Branco está entre as três capitais brasileiras que registram crescimento contínuo dos casos de SRAG. Na cidade, o avanço da doença tem atingido principalmente crianças de 5 a 14 anos e idosos com 65 anos ou mais.
Enquanto boa parte do país apresenta queda nas internações por vírus respiratórios, o Acre ainda registra números elevados, principalmente de casos graves relacionados à influenza A. Segundo os pesquisadores, embora o período de maior circulação desse vírus já esteja chegando ao fim em várias regiões do Brasil, o estado continua com alta incidência.
Impacto El Niño
O período de altas temperaturas em julho já afeta o cotidiano da população acreana, e a tendência para os próximos meses é de agravamento no cenário climático. Segundo projeções e registros técnicos, o calor intenso deve se intensificar ainda mais em todo o estado.
Ao ContilNet, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que até o momento os termômetros de Rio Branco registraram marcas de 35ºC, enquanto no interior já alcançaram 36ºC.
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Até o momento, a maior temperatura registrada em Rio Branco em 2026 foi de 34,7ºC. — Foto: Reprodução
O histórico climático aponta que o cenário pode se tornar ainda mais rigoroso, com previsão de que as temperaturas cheguem a 39°C, podendo inclusive ultrapassar essa marca ao longo da temporada.
“Veja bem, 36ºC é muito calor. Em outras épocas, temos registros de temperaturas que chegaram a 39ºC. Infelizmente, a tendência desse ano é que ela também chegue a essa temperatura ou até ultrapasse. Eu me refiro a termômetro real, a sensação térmica aumenta de 1 a 10ºC, porque é subjetivo, cada um sente um calor diferente”, explicou.
“A previsão daqui para frente é piorar a questão das ondas de calor e ficar mais intenso daqui para frente”, disse.


