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Como conversar com crianças após a tragédia no São José? Psicóloga explica

Por Juan Vinícius, ContilNet 17/05/2026 às 17:12
São José

Instituto São José/Foto: Reprodução

Após o caso de violência registrado no Instituto São José, ocorrido no último dia 5 de maio, em Rio Branco, muitos pais passaram a enfrentar dúvidas sobre como abordar o assunto com crianças e adolescentes sem intensificar sentimentos de medo e insegurança.

Diante desse cenário, a equipe de reportagem da ContilNet conversou com a psicóloga Silvana de Brito, especialista em saúde mental de crianças e adolescentes, para entender como os responsáveis podem acolher emocionalmente os filhos, auxiliar no retorno ao ambiente escolar e identificar sinais que indiquem a necessidade de acompanhamento psicológico após acontecimentos traumáticos.

Segundo a especialista, os pais precisam tratar o assunto com sinceridade, evitando minimizar o ocorrido ou criar explicações distantes da realidade. Ela orienta que os responsáveis conversem com os filhos a partir de informações concretas, como reportagens e conteúdos já divulgados pela imprensa, ajudando a criança ou adolescente a compreender o que aconteceu sem alimentar especulações.

“Leia essa reportagem junto com o filho e procure entender como ele está compreendendo a tragédia que aconteceu. A partir disso, os pais podem orientar e conversar sobre o assunto de forma responsável, explicando que situações como essa infelizmente podem acontecer em outras escolas e até em outros países, mas que agora ocorreram aqui, na escola e na cidade onde vivemos”, explicou.

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Sobre o retorno às aulas, a especialista afirma que é fato que estudantes sintam medo após um episódio traumático. Segundo ela, a insegurança pode provocar sintomas físicos e emocionais, como insônia, dores abdominais, fadiga, nervosismo e dificuldade para retomar a rotina. No entanto, ela ressalta que a reconstrução desse sentimento de segurança depende também do ambiente escolar.

“É necessário, primeiro, que essa família se informe com a escola. Mas aí vem a outra situação: como essa escola está administrando o que ocorreu nesse espaço? Então, esses funcionários, que tipo de ajuda estão recebendo para transmitir essa segurança aos pais e os pais poderem transmitir aos filhos? Não é só uma situação de como a família vai ajudar os filhos, mas primeiro a escola, porque a família depende da segurança que a escola vai passar nesse momento”, afirmou.

A especialista orienta ainda que os responsáveis observem mudanças no comportamento das crianças e adolescentes nos próximos dias. Segundo ela, sinais como tremores, gagueira, nervosismo intenso, suor excessivo, dificuldade para falar sobre o assunto e medo persistente podem indicar que o jovem está emocionalmente abalado e precisa de ajuda profissional.

“Aquele jovem que começa a falar sobre o assunto e gagueja, fica nervoso, não toma uma iniciativa, isso já precisa ligar um alerta, porque as funções psicológicas dele estão bem abaladas. Então, precisa observar realmente. Foi uma situação pública e essa situação afetou o individual daquele adolescente. Ele não está conseguindo sair desse lugar de insegurança, porque pode pensar: ‘aconteceu naquela escola, pode acontecer em outra escola’. E ele vai relacionando situações de tragédia e acreditando que a próxima pode acontecer onde ele esteja. A gente precisa observar esse tipo de comportamento. Não é aquele que acorda e diz naturalmente que não quer ir para a aula porque está com medo. É aquele que não consegue ter iniciativa nem sequer para conversar sem ficar gaguejando, tremendo, com reações psicológicas muito afetadas diante de uma tragédia. E aí vem o estresse pós-traumático”, completou.

De acordo com a psicóloga, situações traumáticas como essa podem desencadear quadros de estresse pós-traumático, principalmente quando o medo faz com que o jovem passe a acreditar que algo semelhante pode acontecer em qualquer ambiente escolar.

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