ApĂłs o caso de violĂȘncia registrado no Instituto SĂŁo JosĂ©, ocorrido no Ășltimo dia 5 de maio, em Rio Branco, muitos pais passaram a enfrentar dĂșvidas sobre como abordar o assunto com crianças e adolescentes sem intensificar sentimentos de medo e insegurança.
Diante desse cenĂĄrio, a equipe de reportagem da ContilNet conversou com a psicĂłloga Silvana de Brito, especialista em saĂșde mental de crianças e adolescentes, para entender como os responsĂĄveis podem acolher emocionalmente os filhos, auxiliar no retorno ao ambiente escolar e identificar sinais que indiquem a necessidade de acompanhamento psicolĂłgico apĂłs acontecimentos traumĂĄticos.
Segundo a especialista, os pais precisam tratar o assunto com sinceridade, evitando minimizar o ocorrido ou criar explicaçÔes distantes da realidade. Ela orienta que os responsĂĄveis conversem com os filhos a partir de informaçÔes concretas, como reportagens e conteĂșdos jĂĄ divulgados pela imprensa, ajudando a criança ou adolescente a compreender o que aconteceu sem alimentar especulaçÔes.
âLeia essa reportagem junto com o filho e procure entender como ele estĂĄ compreendendo a tragĂ©dia que aconteceu. A partir disso, os pais podem orientar e conversar sobre o assunto de forma responsĂĄvel, explicando que situaçÔes como essa infelizmente podem acontecer em outras escolas e atĂ© em outros paĂses, mas que agora ocorreram aqui, na escola e na cidade onde vivemosâ, explicou.
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Sobre o retorno Ă s aulas, a especialista afirma que Ă© fato que estudantes sintam medo apĂłs um episĂłdio traumĂĄtico. Segundo ela, a insegurança pode provocar sintomas fĂsicos e emocionais, como insĂŽnia, dores abdominais, fadiga, nervosismo e dificuldade para retomar a rotina. No entanto, ela ressalta que a reconstrução desse sentimento de segurança depende tambĂ©m do ambiente escolar.
âĂ necessĂĄrio, primeiro, que essa famĂlia se informe com a escola. Mas aĂ vem a outra situação: como essa escola estĂĄ administrando o que ocorreu nesse espaço? EntĂŁo, esses funcionĂĄrios, que tipo de ajuda estĂŁo recebendo para transmitir essa segurança aos pais e os pais poderem transmitir aos filhos? NĂŁo Ă© sĂł uma situação de como a famĂlia vai ajudar os filhos, mas primeiro a escola, porque a famĂlia depende da segurança que a escola vai passar nesse momentoâ, afirmou.
A especialista orienta ainda que os responsåveis observem mudanças no comportamento das crianças e adolescentes nos próximos dias. Segundo ela, sinais como tremores, gagueira, nervosismo intenso, suor excessivo, dificuldade para falar sobre o assunto e medo persistente podem indicar que o jovem estå emocionalmente abalado e precisa de ajuda profissional.
âAquele jovem que começa a falar sobre o assunto e gagueja, fica nervoso, nĂŁo toma uma iniciativa, isso jĂĄ precisa ligar um alerta, porque as funçÔes psicolĂłgicas dele estĂŁo bem abaladas. EntĂŁo, precisa observar realmente. Foi uma situação pĂșblica e essa situação afetou o individual daquele adolescente. Ele nĂŁo estĂĄ conseguindo sair desse lugar de insegurança, porque pode pensar: âaconteceu naquela escola, pode acontecer em outra escolaâ. E ele vai relacionando situaçÔes de tragĂ©dia e acreditando que a prĂłxima pode acontecer onde ele esteja. A gente precisa observar esse tipo de comportamento. NĂŁo Ă© aquele que acorda e diz naturalmente que nĂŁo quer ir para a aula porque estĂĄ com medo. Ă aquele que nĂŁo consegue ter iniciativa nem sequer para conversar sem ficar gaguejando, tremendo, com reaçÔes psicolĂłgicas muito afetadas diante de uma tragĂ©dia. E aĂ vem o estresse pĂłs-traumĂĄticoâ, completou.
De acordo com a psicóloga, situaçÔes traumåticas como essa podem desencadear quadros de estresse pós-traumåtico, principalmente quando o medo faz com que o jovem passe a acreditar que algo semelhante pode acontecer em qualquer ambiente escolar.


