Figuras conhecidas chegam à reta final da campanha sem dinheiro dos partidos
A reta final das eleições de 2026 chegou com uma situação incomum para alguns dos nomes mais conhecidos da política acreana. A 15 dias do primeiro turno, candidatos com trajetória em cargos públicos, mandatos anteriores e presença conhecida no cenário político do estado ainda não receberam recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) repassados por seus próprios partidos.
O levantamento feito pelo ContilNet, com base nos dados de prestação de contas disponibilizados pela Justiça Eleitoral, mostra que candidatos de diferentes legendas aparecem sem repasses partidários registrados até o momento. Em alguns casos, a campanha tem sido mantida exclusivamente com doações de pessoas físicas ou com recursos provenientes de apoiadores.
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Para as eleições de 2026, o Fundo Eleitoral soma aproximadamente R$ 4,96 bilhões em recursos públicos. A distribuição aos candidatos, porém, não ocorre de forma automática: cabe às executivas nacionais dos partidos definir os critérios para distribuição das verbas entre suas candidaturas.
Thor Dantas recebeu R$ 217 mil, mas dinheiro veio de aliado
Candidato ao governo do Acre pelo PSB, Thor Dantas é um dos nomes que aparecem na lista. Até o momento, ele não recebeu recursos do fundo eleitoral destinados diretamente pela executiva nacional do PSB.
A campanha, entretanto, recebeu R$ 217 mil de Jorge Viana, candidato ao Senado e integrante da mesma chapa de Thor.
Na prática, o valor não representa um repasse da direção nacional do partido ao candidato ao governo, mas uma doação feita por outro candidato da própria chapa.
Eduardo Velloso tem R$ 26,5 mil e nenhum centavo de fundo eleitoral
Candidato ao Senado pelo Solidariedade, Eduardo Velloso também não recebeu recursos do Fundo Eleitoral.
Até o momento, a campanha declarou R$ 26,5 mil em recursos, todos provenientes de pessoas físicas. Os dados consultados apontam três doações: R$ 15 mil de Antonio Cesar Lima da Conceição, R$ 9 mil de Paulo Crisogono Carvalho de Velloso Vianna e R$ 2,5 mil de Nathan Barros Lessa.
A base de dados consultada, alimentada a partir das informações do TSE, registra R$ 0 em recursos do FEFC e R$ 26,5 mil em outros recursos para a campanha de Velloso.
Ex-deputado Fernando Melo também aparece sem recursos partidários
Ex-deputado federal, Fernando Melo disputa novamente uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Podemos.
Até o momento considerado pelo levantamento, o candidato não recebeu recursos do Fundo Eleitoral de sua legenda.
A ausência de repasses ocorre justamente na reta final da campanha, período em que as candidaturas costumam concentrar gastos com material, publicidade, mobilização de eleitores e estrutura de campanha.
Antonio Pedro tenta voltar à Assembleia sem dinheiro do partido
Outro nome conhecido que aparece sem recursos partidários é Antonio Pedro, candidato a deputado estadual pelo PSD.
Ex-deputado estadual, ele tenta retornar à Assembleia Legislativa do Acre, mas, conforme os dados levantados pelo ContilNet, não recebeu recursos do Fundo Eleitoral de sua legenda até o momento.
Edinaldo Muniz disputa vaga após trajetória no Judiciário
Também pelo Republicanos, Edinaldo Muniz aparece na lista de candidatos que não receberam recursos do fundo partidário para a campanha.
Ex-juiz e conhecido no estado também por ter sido vítima do desabamento da ponte de Sena Madureira, Edinaldo disputa uma vaga de deputado estadual.
Até o momento do levantamento, não havia registro de repasse do Fundo Eleitoral para sua candidatura.
Gene Diniz tenta a reeleição sem repasse do Republicanos
Atual deputado estadual e candidato à reeleição pelo Republicanos, Gene Diniz é outro nome que chega à reta final sem recursos do Fundo Eleitoral registrados em sua campanha.
Irmão do prefeito de Sena Madureira, o parlamentar busca permanecer na Assembleia Legislativa, mas, até o momento, não aparece entre os candidatos beneficiados pelos repasses partidários.
Marcus Alexandre recebe ajuda de aliados
No MDB, o ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre também aparece sem recursos provenientes do partido.
A candidatura, entretanto, encontrou uma alternativa nas doações de pessoas físicas e apoiadores. O levantamento do ContilNet aponta que Marcus recebeu mais de R$ 260 mil em doações, incluindo R$ 150 mil de Ney Amorim, candidato a deputado federal pelo próprio MDB.
Assim como no caso de Thor Dantas, portanto, o dinheiro entrou na campanha por meio de outro candidato e não como repasse direto da executiva partidária.
Marilete Vitorino e Moisés Diniz também estão fora dos repasses
A lista levantada pelo ContilNet inclui ainda dois nomes conhecidos do PSD.
Ex-prefeita, Marilete Vitorino disputa uma vaga de deputada estadual e, até o momento analisado, não recebeu recursos do Fundo Eleitoral do partido.
Moisés Diniz, ex-deputado estadual, também concorre à Assembleia pelo PSD e aparece sem repasse partidário registrado.
Fundo Eleitoral é distribuído conforme critérios definidos pelos partidos
O fato de um candidato não receber dinheiro do FEFC não significa, por si só, que exista irregularidade. A legislação estabelece que os partidos definam os critérios para distribuir os recursos recebidos do Fundo Eleitoral entre seus candidatos.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, os critérios precisam ser aprovados pela maioria absoluta dos integrantes da executiva nacional da legenda e divulgados publicamente. O TSE também disponibiliza os valores destinados a cada partido e os critérios informados pelas agremiações.
Para 2026, o FEFC totaliza R$ 4,961 bilhões. A distribuição entre os partidos segue regras previstas na legislação eleitoral, enquanto a divisão interna entre as candidaturas fica submetida aos critérios definidos pelas próprias legendas.