A maior parte das violações de direitos humanos registradas pelo Disque 100 no Acre acontece de forma recorrente. Dados do painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, atualizados até o último dia 12 de julho, mostram que 5.436 das 6.932 violações contabilizadas no estado foram classificadas como ocorrendo diariamente, o equivalente a cerca de 78% dos registros.
O levantamento reúne 526 protocolos, que resultaram em 867 denúncias e 6.932 violações de direitos humanos. A diferença entre os números ocorre porque uma única denúncia pode envolver diversas violações — como violência física, psicológica, negligência, abandono ou abuso sexual —, além de mais de uma vítima. Por isso, o total de violações é significativamente maior que o de denúncias.
Além das violações classificadas como diárias, o painel aponta 556 registros cuja frequência não foi informada, 310 classificados como ocorrência única, 300 ocasionais, 292 semanais e 19 mensais.
Os dados também revelam que muitas vítimas convivem com a violência por longos períodos antes da denúncia. Em 2.402 violações, os abusos já ocorriam há mais de um ano. Outros 1.339 registros indicam que a violência havia começado há um mês, enquanto 858 violações persistiam há mais de seis meses. O levantamento ainda contabiliza 544 violações iniciadas há mais de cinco anos e 444 que ocorriam havia mais de dez anos.
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Crianças e adolescentes lideram os registros
Entre os grupos vulneráveis, crianças e adolescentes concentram o maior número de denúncias no estado. Foram 473 denúncias, que resultaram em 3.149 violações, quase metade de todos os registros do painel.
Na sequência aparecem:
- Pessoas idosas: 229 denúncias e 1.498 violações;
- Pessoas com deficiência: 179 denúncias e 1.286 violações;
- Mulheres: 94 denúncias e 533 violações;
- Cidadão, família ou comunidade: 71 denúncias e 342 violações;
- Pessoas em restrição de liberdade: 11 denúncias e 49 violações;
- População LGBTQIA+: 7 denúncias e 59 violações;
- Pessoas em situação de rua: 2 denúncias e 16 violações.
